quarta-feira, 28 de maio de 2025

 

CAPÍTULO 2

 

FUSÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

_Estou aguardando. Se a explicação não for bem convincente, vou pensar que vocês são espiões Nazistas. _ disse Tom, com a varinha apontada para os dois, tendo os outros alunos um pouco mais atrás..

_Acho que teremos de explicar, Voldemort... digo, Mariel.

_E explicar bem, Harry Potter. _ disse Voldemort _ Acho melhor que eu comece.

_Pode começar então, Mariel. _ disse Tom _ Se é que esse é o seu nome, pois ouvi um outro agora que me dá o que pensar.

_Realmente, Mariel não é o meu nome. Durante nossa explicação, você vai entender o porquê.

_E você é um bruxo das Trevas. _ disse Minerva _ Essa aparência viperina não se adquire aprendendo e praticando “Lumus” nem “Wingardium Leviosa”.

_Me pegou, Minerva. _ disse Voldemort _ Para começar, sou mais próximo de Tom Riddle do que vocês podem imaginar.

_Como assim? _ perguntou Hiram.

_O que vocês sabem sobre deslocamento temporal? _ perguntou Voldemort.

_É possível, desde que se possua um Vira-Tempo, mas o limite é de horas ou, no máximo, de dias. _ disse Minerva, de um jeito que lembrava Hermione _ Para deslocamentos maiores, teoricamente, seria necessário que houvesse uma grande concentração de energia mágica, de forma a romper o Continuum de tempo e espaço.

Harry ficou admirado, pois era exatamente o que Voldemort lhe dissera antes.

_E você acredita nessa possibilidade, Minerva? _ perguntou Tom.

_Acredito, embora ainda não se disponha de resultados concretos. E você está querendo dizer que isso aconteceu com vocês, Mariel?

_Sim, Minerva. _ respondeu Voldemort _ Só que em um nível ainda mais profundo.

_Mais profundo? Quer dizer que foi em nível...

_Em nível dimensional. _ disse Harry _ Viemos do futuro, sim. Mas do futuro de uma outra realidade, onde a História prosseguiu de maneira diferente. Em nossa realidade, os Nazistas chegaram a bombardear a Inglaterra, mas nunca colocaram os pés nela. Churchill era o Primeiro-Ministro trouxa e foi um dos maiores líderes do século. A Inglaterra abrigou DeGaulle e ele conclamava o povo francês à resistência, pelo rádio.

_Aqui ele também faz isso, só que está nos EUA. _ disse Tom _ Não sei dos detalhes estratégicos, somente dos de nível tático, de acordo com as missões que recebemos. E é graças aos bruxos que a Inglaterra não capitulou de vez. Mesmo que Grindelwald tenha seu exército, toda a Bruxidade da Grã-Bretanha, salvo algumas exceções, se uniu contra eles. É por isso que o domínio que eles têm sobre a ilha é frágil e eu me arriscaria a dizer, apenas aparente.

_Ainda bem. _ disse Minerva _ De outro modo, eles já teriam invadido a América. Pelas informações que recebemos, eles também estão sendo derrotados na Rússia.

_A Batalha de Stalingrado. _ murmurou Harry.

_O que você está falando, Harry? _ perguntou Minerva.

_Sobre uma batalha importantíssima, Profª McGonnagall... hã, digo..., Minerva. Para nós é História, ainda que esteja ocorrendo agora. Os Nazistas queriam chegar a Moscou, executando a “Operação Barbarossa”, mas como a capital resistia, Hitler mandou que tomassem Stalingrado.

_Esse foi um dos maiores erros estratégicos dele. _ disse Voldemort _ Igual a Napoleão, chegaram à Rússia em pleno inverno, sem equipamento adequado e tiveram suas linhas de suprimento cortadas. Com isso a maré vai virar nessa guerra.

_Assim espero. _ disse Minerva _ Mas a Inglaterra tem de ser libertada, nos próximos meses. Isso é de crucial importância. Bem, vou deixá-los, por enquanto. Recebemos algumas mensagens e tenho de decodificá-las.

 

Minerva se afastou e Tom olhou para os dois.

 

_Agora que estamos só nós, vamos ser sinceros uns com os outros. Harry, você chamou Mariel por um nome que não me é totalmente estranho. Além disso Minerva tem razão, Mariel. Você não adquiriu esse rosto de cobra à toa. Sou capaz de apostar que você deve ter feito algumas Horcruxes.

_Eu não poderia esperar menos de você, Tom Riddle. Na verdade, acabei fazendo sete delas. _ disse Voldemort _ E quanto ao meu nome, ele não lhe é estranho porque estou certo de que você já pensou em utilizá-lo. Ou pensa que não sei que você tem uma tendência para as Trevas?

_Realmente, comecei a trilhar o caminho das Trevas, mas duas coisas aconteceram, me forçando a abandoná-lo ou, no mínimo, adiar meus planos.

_A guerra e os sentimentos de Minerva. _ disse Harry _ Está mais do que evidente.

_Como sabem tanto assim a nosso respeito, mesmo tendo vindo do futuro? E você, Harry, chamou Minerva de “Profª McGonnagall”. Me expliquem melhor.

_Como você pediu, seremos sinceros, Tom. _ disse Voldemort _ Como é que eu sei que você é natural de Little Hangleton, filho de uma bruxa, Merope Gaunt, com um trouxa, filho de um senhor de terras da região, chamado Tom Riddle? Viveu em um orfanato de Londres, até ser entrevistado por Dumbledore e começar a estudar em Hogwarts, tornando-se um dos mais brilhantes alunos e Monitor-Chefe, junto com Minerva McGonnagall. Descobriu referências às Horcruxes e pediu maiores explicações ao professor de Poções, Horatio Slughorn.

_Em nosso tempo e realidade, Minerva McGonnagall é professora de Transfiguração e uma das bruxas mais brilhantes que conheço. _ disse Harry.

_Eu não sei se deveria dizer, mas sei tanto sobre você porque sou sua contraparte, décadas no futuro. _ disse Voldemort _ E quanto às Horcruxes, fiz sete delas, como eu já disse. Seis planejadas e uma involuntária.

_Minha contraparte? Então está explicado o porquê do nome “Voldemort”. Eu pensei nele...

_... Fazendo um anagrama de “Tom Marvolo Riddle”. _ disse Voldemort, sorrindo com o ar de surpresa do jovem Tom _ Aliás, “Mariel Dort Moldov” também é um anagrama.

_E somos inimigos mortais no futuro, eu e Voldemort. _ disse Harry, servindo-se de mais uma xícara de café do bule _ Estávamos tendo uma feroz batalha, quando fomos deslocados para cá. Frente às circunstâncias, resolvemos fazer uma trégua, até que consigamos retornar.

_Inimigos, você disse? _ perguntou Tom _ Podem dizer mais?

_Não seria seguro, Tom. _ disse Voldemort _ Mesmo sendo uma outra realidade, paralela à nossa, não seria seguro interferir no Continuum. O futuro é como se fosse uma página em branco, onde a História é escrita a cada instante e com seu rumo mudando a cada decisão tomada. Não temos o direito de interferir no rumo normal dos acontecimentos, mesmo que eles possam não ter se desenrolado da mesma forma que em nossa realidade. Só poderemos ficar para ajudá-los porque sabemos que o rumo da guerra segue para a derrota dos Nazistas.

_Em nossa realidade os Aliados mudaram a vantagem a partir do ano passado, mas não houve invasão da Inglaterra, como já dissemos. _ disse Harry _ Porém a presença de Grindelwald aqui torna as coisas mais difíceis.

_E ainda mais porque os Aliados têm planos a médio e longo prazo. Planos bem importantes _ disse Tom Riddle, também pegando mais um café _ Inclusive...

_... Tom, acabei de decodificar a mensagem! _ disse Minerva, interrompendo o colega e aproximando-se, com um papel nas mãos _ Vamos receber visitas, veja!

 

No papel estava escrito: “Abelha Branca e Vitorioso chegando. Preparar recepção”.

_Vamos recebê-los, então. _ disse Tom, satisfeito _ Harry, Mariel, coisas importantes vão acontecer.

_Como assim? _ perguntou Voldemort.

_Explico daqui a pouco. Vamos à entrada da passagem X-4, pois eles devem estar para chegar.

 

Foram até um ponto da parede, onde uma parte dela deslizou para o lado, deixando ver um túnel, pelo qual saíram dois homens. Ambos vestiam calças cargo verde-oliva, suéteres, jaquetas e toucas pretas.Um deles tinha brilhantes olhos azuis, por detrás de óculos de meia-lua, era alto e magro, tinha cabelos e barba acaju, meio longos. O outro também tinha olhos azuis, era mais baixo, gorducho e careca, tinha uma expressão firme no rosto e não aparentava ter mais de sessenta anos, embora já tivesse sessenta e sete. Ambos estavam armados, embora o coldre do primeiro fosse uma bainha de couro, na qual havia uma varinha. O outro portava uma pistola americana Colt 1911 A-1, calibre .45.

_Creio que um café seria de bom alvitre, jovens. _ disse o gorducho.

_Concordo plenamente, Winnie. _ disse o mais alto.

_É para já, professor. _ disse Tom, enquanto duas xícaras eram servidas.

 

_Professor... Dumbledore? _ perguntou Harry.

_Quem é você, meu jovem? _ perguntou Dumbledore _ Eu não me lembro de tê-lo visto em Hogwarts, antes. E nem a você, meu senhor de rosto ofídico.

_É admirável vê-lo vivo, Dumbledore. E do jeito que me recordo de quando eu era jovem. _ disse Voldemort _ Na verdade, chegamos aqui por um acidente e descobrimos que os Nazistas invadiram a Grã-Bretanha.

_Mas estão sendo expulsos aos poucos. Só espero que não seja tarde demais para que possamos colaborar com Ike. _ disse o gorducho.

_Refere-se a Eisenhower, Sir Winston Churchill? _ perguntou Harry.

_Obrigado, garoto, mas não sou Cavaleiro do Reino. Não me fiz merecedor dessa honraria, ainda. _ respondeu ele, enquanto Harry percebeu a gafe. Winston Churchill somente receberia o título de Sir em 1953, dali a dez anos, quando também receberia o Nobel de Literatura.

_Sinto muito. Explicarei logo mais a razão de tê-lo chamado de Sir, se eu puder.

_OK. Sim, me refiro ao General Dwight David Eisenhower. Ainda neste ano, precisaremos reunir as lideranças Aliadas para discutir como desfechar um golpe para que o Eixo finalmente encontre sua derrota. Já temos o local, mas ele será mantido em segredo...

_... Teerã. _ murmurou Harry.

_Como é, meu jovem? _ perguntou Dumbledore.

_Acho que precisamos de privacidade aqui,. _ disse Harry, executando um Abbaffiatto, isolando-os do restante dos alunos _ Pronto. Agora podemos falar, sem problemas.

_Então, como você sabe sobre a conferência em Teerã, se o local está sendo mantido em segredo total? _ perguntou Churchill.

_Como sabemos que a conferência irá se realizar em Teerã, em 28 de dezembro deste ano? _ redarguiu Voldemort _ Porque para nós isso é História, assim como o fato do jovem Harry Potter tê-lo chamado de “Sir”.

_Devo então presumir que vocês dois não pertencem a este tempo, meus caros senhores. _ disse Dumbledore _ E de quando são?

_Você não se espanta com isso, mesmo sendo bruxo, Alvo?

_Na verdade, Winnie, eu realizei estudos nessa área e descobri que uma imensa concentração de energia pode abrir uma fenda no tempo. Além disso, este jovem tem um rosto que me é familiar. Você disse que seu sobrenome é “Potter”, não é?

_Sim, professor. _ respondeu Harry.

_Dos Potter de Godric’s Hollow?

_Sim, minha família veio de lá.

_Então você é descendente de Charlus Potter?

_Sim, sou. _ respondeu Harry, lembrando-se do nome de seu ancestral, que vira na árvore genealógica da família Black.

_E de Odisseus Potter?

_Sinceramente, não sei lhe dizer. Não estudei a fundo a minha árvore genealógica, inclusive ele pode até não ter existido na minha realidade.

_Como assim, “minha realidade”? _ perguntou Churchill.

_Viemos do futuro, como já dissemos, mas de uma realidade paralela. Por isso há algumas diferenças. _ disse Voldemort _ Lá, Grindelwald não foi conselheiro de Hitler, portanto os Nazistas não tiveram apoio dos bruxos das Trevas e jamais conseguiram colocar os pés na Grã-Bretanha. No máximo chegaram a Guernsey e Jersey.

_E quanto a vocês? _ perguntou Dumbledore.

_Eu sou aluno de Hogwarts, embora tenha ficado fora no último ano. Tive de cumprir uma missão que me foi delegada por sua contraparte, em minha época.

_E você, senhor? Creio que andou se envolvendo com as Trevas.

_Na verdade, ele é a minha contraparte, na realidade de onde eles vieram, professor. _ disse Tom, dando um tapinha no ombro de Voldemort.

_NÃO TOQUE NELE, TOM!!! _ o aviso de Dumbledore chegou tarde. O pequeno contato da mão do jovem Tom Riddle foi o bastante para desencadear uma reação, na qual os corpos dos dois emitiram um intenso brilho esverdeado e, por fim, pareceram se unir. No final, a figura de Lord Voldemort havia desaparecido e só restava o jovem Tom Riddle.

_Mesmo convivendo com vocês e vendo-os executarem seus feitiços, a magia sempre me espanta. _ disse Churchill, admirado.

_Você está bem, Tom? _ perguntou Dumbledore.

_Sim, professor. Sinto-me bem, apesar da sensação de não estar sozinho em meu corpo.

_E não está. _ disse Dumbledore _ Você e sua contraparte, Voldemort, acabaram por se fundir.

_Sim, é verdade. Estou com as memórias de Voldemort, desde o seu nascimento, até o momento em que vieram para cá. Merlin! Como aconteceram coisas no mundo, nas décadas que nos separam! _ disse o jovem Tom Riddle _ Mas uma coisa é certa, os Nazistas perderão a guerra.

_Mesmo assim, o terror perpetrado por eles é uma mancha da qual a Alemanha ainda tenta se recuperar, em nosso tempo. _ disse Harry _ Prof. Dumbledore, como se explica a fusão dos dois?

_Na verdade, jovem Harry Potter, é tudo ainda muito teórico, poucos são os que realizam estudos nessa área, Deslocamento Dimensional, eu entre eles. O contato entre os dois forçou a fusão, pois eles passaram a ser dois corpos ocupando o mesmo espaço.

_E pelas leis da Física, isso é impossível. _ disse Churchill.

_Exatamente, Winnie. _ concordou Dumbledore _ Por isso, tiveram de se tornar um só.

_E eu estou com as memórias e conhecimentos de Voldemort. _ disse Tom, sentando-se em uma cadeira _ Como ele é poderoso e como se arriscou, no decorrer de sua vida! E é verdade, ele e Harry Potter são inimigos mortais, mas fizeram uma aliança temporária para nos ajudarem a expulsar Grindelwald e os Nazistas da Grã-Bretanha.

_Mas sempre procurando não interferir no curso normal dos acontecimentos, embora seja um pouco difícil, devido às diferenças entre as nossas realidades. Se bem que o desfecho acabará por ser o mesmo, eu acho. _ disse Harry _ A vitória dos Aliados e a derrota do Nazismo.

_Diferenças? _ perguntou Dumbledore _ Saber quais são é importante, para que nós nos planejemos.

_Por exemplo, há pessoas aqui que não existem na nossa realidade. Lá, Abraxas Malfoy não tem um irmão gêmeo, Jean-Marc. Também não existem Renata Wigder, Hiram Mason e Fabiola Wayne. Agora, falando do mais importante, Voldemort e eu havíamos concordado em uma trégua, até conseguirmos retornar à nossa realidade e, por enquanto, ficaríamos e ajudaríamos a combater os Nazistas. Mas agora há outra situação a resolver, separar Tom e Voldemort.

_Creio que por enquanto teremos de ficar assim, Harry Potter. _ disse Tom com sua própria voz, mas com o jeito de falar de Voldemort _ E isso pode ser uma vantagem, meus conhecimentos e poderes em um corpo jovem.

_É verdade, Voldemort. _ disse Dumbledore _ Os bruxos adultos foram obrigados a se registrar no Ministério, que está sendo controlado por Grindelwald e foram submetidos a um rastreador mágico. Aqueles que se recusaram foram presos ou tiveram de entrar na clandestinidade.

_Estão fazendo com os bruxos adversários o mesmo que os Nazistas fazem com os judeus no continente. _ disse Churchill _ Dessa forma, podem monitorá-los e evitar que participem de ações contra eles.

_Mas os da Ordem da Fênix não se submeteram. Estão espalhados pela Grã-Bretanha, junto aos grupos trouxas de resistência, desempenhando principalmente missões de sabotagem. Sem serem registrados, seus feitiços não podem ser rastreados. _ disse Dumbledore, servindo-se de mais um café _ Os bruxos menores não são monitorados, pois já possuem o Traço.

_Ou pelo menos é o que eles pensam. _ disse Tom _ O Prof. Dumbledore encontrou um meio de neutralizar o Traço, então os alunos de Hogwarts que não se submeteram a Grindelwald formam uma considerável força, aliando a magia a seus talentos pessoais.

_Mas há alunos que foram convencidos, doutrinados pelos professores introduzidos por Grindelwald e são partidários dele. _ disse Dumbledore _ Felizmente, sabemos quais são e podemos mantê-los sob controle.

_E quanto a Grindelwald? _ perguntou Harry.

_Ele divide seu tempo entre Hogwarts e Londres. O Ministro da Magia é um fantoche, não por acaso seu sobrenome é Chamberlain. Grindelwald é seu conselheiro, mas na verdade é ele quem dirige o Ministério, ao mesmo tempo que administra a Grã-Bretanha, por ordem de Hitler. _ disse Churchill _ O Diretor de Hogwarts também é uma marionete, chamado Slinkhard.

_Wilbert Slinkhard, autor de um dos mais inúteis livros que eu já vi?

_Exato, Harry. _ disse Tom _ “Teoria de Defesa em Magia”. Nem mesmo as crianças o utilizam.

_Decerto ele pensava que, em um duelo, os adversários iriam jogar bombons e flores. _ disse Harry _ Essa porcaria de livro chegou a nos ser imposto, no quinto ano.

_Se você vai permanecer conosco, Harry, teremos de providenciar documentos falsos para justificar sua transferência. Como é seu conhecimento de idiomas?

_Além da língua-mãe, conheço um pouco de Francês, Alemão, Espanhol, Grego e Latim, devido ao estudo dos livros de magia.

_Perfeito. Poderei aumentar sua fluência em Francês com um feitiço. Você será um aluno transferido de uma das duas escolas de magia da Bélgica, país que está ocupado pelos Nazistas. Mas, como a Academia Européia de Aurores fica na Bélgica e os Nazistas jamais conseguiram e nem conseguirão localizá-la, eles irão lhe providenciar documentos falsos. Você só deverá me fornecer um nome e eu utilizarei um Vernaculum para melhorar sua fluência e dar mais credibilidade ao disfarce.

_Sotaque Flamengo ou Valão? _ perguntou Harry.

_Melhor que seja Valão. _ disse Dumbledore _ Como a Valônia é tanto francófona quanto germanófona e forma divisa com as comunidades germanófonas belgas, além de fazer fronteira com a Alemanha, eles desconfiarão menos. Já pensou no seu nome, Harry?

_Sim. “Georges Delvaux”. Eis um nome tipicamente belga, Prof. Dumbledore.

_Perfeito, os documentos chegarão em três dias. Tom, há uma missão para vocês. Parece que há uma grande movimentação no limite norte, em uma parte pouco visitada dos terrenos de Hogwarts. Um grande número de viaturas pesadas foi visto dirigindo-se para lá e seria bom alguém dar uma olhada no que Grindelwald e os Nazistas estão planejando.

_Vou cuidar disso pessoalmente, Prof. Dumbledore. _ disse Tom _ E gostaria que Harry fosse comigo, será bom para ele já se habituar à dinâmica do nosso grupo.

_Perfeito. Saiam hoje à noite e deixem um Shikigami seu na Sala Comunal da Sonserina.

_OK, professor. Vamos preparar o material.

_Eu e Winnie precisamos ir. _ disse Dumbledore _ Lembrem-se de manter os turnos, para que não desconfiem de nada. Harry, ou melhor, “Georges Delvaux”, depois que seus documentos chegarem, poderá circular como aluno transferido para o sétimo ano.

_Certo, professor. _ disse Tom _ Vamos, Harry. Precisamos arrumar nosso equipamento.

 

Em outra parte da Sala Precisa, vários caixotes estavam enfileirados. Tom Riddle abriu alguns e foi reunindo o material, orientando Harry para pegar os mesmos itens que ele.

_Vejamos... calças cargo, botas, jaquetas, toucas de lã, conjuntos de neve, rações, binóculos, lanternas, pistolas...

_Pistolas, Tom? _ perguntou Harry, espantado.

_Somente se for o caso, Harry. _ disse Tom, separando duas Colt 1911 com silenciador e carregadores reserva, colocando-as em coldres axilares _ Pode ser apenas uma missão de observação, mas pense que qualquer um daqueles chucrutes não hesitaria em lhe dar um tiro assim que o avistasse. O ideal é que não sejamos vistos, mas se for necessário preserve a vida, começando pela sua própria.

_Entendo. _ disse Harry, pegando seu equipamento e indo a um local reservado para vestir suas roupas _ Bem, vamos ver no que dá.

_Sabe atirar? _ perguntou Tom.

_Pouca experiência, só com armas de ar comprimido em parques de diversões, durante a infância. Meus tios faziam questão que eu competisse com Duda, para que ele me vencesse. Só que era eu quem sempre ganhava os melhores prêmios.

_Acho que eu nem precisava te perseguir. _ disse Voldemort, através da pessoa do jovem Tom Riddle _ Parece que viver com os Dursley era pior do que Maldição Cruciatus.

_É. A Maldição Cruciatus limita-se a doer. Viver com eles era uma tortura física e mental constante. _ disse Harry.

 

E os dois terminaram de aprontar o equipamento, somente aguardando a hora de saírem para a missão.

terça-feira, 27 de maio de 2025

 

CAPÍTULO 1

 

VORTEX

 

 

 

 

 

 

 

 

Era o momento da decisão. Os Death Eaters estavam ou mortos ou capturados. Estavam somente Harry e Voldemort, preparando-se para lançarem os seus feitiços finais, com toda a força de que ainda dispunham, depois daquela feroz batalha que custara as vidas de várias pessoas de ambos os lados. Remus, Tonks, Moody, Fred, Lilá e Colin, entre outros. Os bruxos das Trevas também sofreram pesadas perdas, com a morte de Bellatrix, Greyback, Thicknesse, Crabbe, McNair e vários outros Death Eaters.

 

Cansados, cheios de escoriações, equimoses e cortes, o Lorde das Trevas (agora sem suas preciosas Horcruxes para protegê-lo), portando a Varinha das Varinhas e o “Menino-Que-Sobreviveu”, empunhando a varinha que tomara de Draco Malfoy durante o confronto na Mansão Malfoy, em Wiltshire, colocaram-se em posição de combate e, partindo para o tudo ou nada, lançaram seus feitiços.

 

_AVADA KEDAVRA! _ bradou o Lorde, enquanto sua varinha disparava um mortal raio verde.

_EXPELLIARMUS! _ Harry contra-atacou, sabendo que a Avada Kedavra não o mataria, pois a proteção gerada pelo sacrifício de sua mãe voltara a ter força.

 

Todos esperavam que, mesmo as varinhas não sendo irmãs, ocoresse algum tipo de ressonância semelhante àquela que já ocorrera três anos antes. Mas ninguém poderia prepará-los para o que aconteceu.

 

Quando o raio escarlate do feitiço de Harry encontrou-se com o raio verde lançado por Voldemort, um luminoso globo branco formou-se e começou a crescer, envolvendo os dois bruxos, ocultando-os da vista de todos e, logo em seguida, implodindo e deixando ver somente o terreno vazio no qual os dois haviam estado.

 

_Mas o que houve? _ perguntou Hermione.

_Não faço a menor ideia. _ disse Rony _ Só sei que tanto Harry quanto Voldemort desapareceram sem deixar vestígios.

_Não... não p-pode ser. _ balbuciou Gina, vendo que seu namorado desaparecera, junto com o Lorde das Trevas _ Para onde podem ter ido?

_Ou ambos se destruíram. _ disse Draco, que se aproximara do local, enquanto os Aurores manietavam e recolhiam os Death Eaters remanescentes. Lucius e Narcisa foram deixados de lado, pois não representavam mais nenhum tipo de perigo. O bruxo loiro não passava de uma sombra do que já fora.

_Cale a boca, Malfoy! _ exclamou Neville _ Se eles tivessem se destruído, algum sinal haveria de ficar.

_Transporte... _ murmurou Luna Lovegood.

_O quê, Srta. Lovegood? _ perguntou Minerva McGonnagall.

_Transporte. Só não sei para onde... ou quando. _ respondeu a loirinha.

 

Muitos pensavam que era somente mais uma das excentricidades de Luna, mas alguns bruxos mais experientes e poderosos sabiam do que ela falava e concordavam com ela. Harry e Voldemort não haviam se destruído, apenas não estavam mais ali.

Mas onde estariam? Ou quando estariam? Será que eles mesmos sabiam?

 

 

Quando o globo luminoso os envolveu, ambos ficaram paralisados e começaram a sentir que tudo girava ao seu redor, semelhante à sensação de viajar com uma Chave de Portal, só que bem mais intensa. Quando ela cessou, os dois ainda estavam frente a frente, mas algo estava diferente.

Para começar, Voldemort não mais empunhava a Varinha das Varinhas. E ao enfiar a mão no bolso das vestes, à procura de sua velha varinha de teixo e cerne de pena de Fênix, aquela também não se encontrava mais lá. Em compensação, Harry ainda tinha a sua varinha atual.

_O que você fez com minha varinha, moleque dos infernos?

_Sei lá da sua varinha. _ respondeu Harry _ Primeiro vou esperar que o mundo pare de rodar e rezar para que eu não vomite.

 

O garoto respirou fundo e esperou que a tontura e a náusea passassem. Enquanto isso, Voldemort fazia a mesma coisa, pois também estava tonto e enjoado.

_Concordo com você. _ disse Voldemort _ Meu estômago parece que quer dar um passeio fora do meu corpo. Alguma ideia do que aconteceu, Harry Potter?

_Nenhuma, Voldemort. Aliás, onde estamos?

_Estamos em Hogwarts, no mesmo local em que estávamos duelando. Mas algo está diferente.

_Tem razão, é o pátio frontal de Hogwarts. Mas para onde foram todos, os Death Eaters, os bruxos da Ordem da Fênix, as criaturas, tudo o mais e... veja, está tudo inteiro!

_Deveria estar tudo destruído, cheio de destroços, depois da batalha. _ disse Voldemort, enquanto olhava em volta _ Mas não sei se a situação e melhor. Olhe à nossa volta.

Harry olhou e seu queixo quase caiu com o que viu.

 

Guaritas, veículos militares antiquados que não eram ingleses, espalhavam-se em meio à neve. Para sorte dos dois, o frio mantinha dentro das guaritas quem quer que as ocupasse. Na entrada do castelo, duas bandeiras que cobriam a frente, quase até a porta principal, uma branca com um símbolo que representava um triângulo equilátero com um círculo inscrito, cortado longitudinalmente por uma reta que se prolongava até o vértice superior do triângulo. O símbolo das Relíquias da Morte, o símbolo de Grindelwald. A outra bandeira era vermelha, com um círculo branco no centro. Mas o pior era a figura dentro do círculo.

 

Uma suástica destrógira, de cor preta.

 

Passado o susto inicial, os dois inimigos mortais perceberam que a situação deveria ser analisada com cuidado e que deveriam esquecer, ao menos temporariamente, suas sérias diferenças e trabalharem juntos, se quisessem sobreviver. Principalmente porque começaram a ouvir vozes que se aproximavam. E elas falavam em Alemão.

_Vamos sair daqui antes que nos vejam, Voldemort.

_De acordo, Harry Potter. Deixemos para resolver nossos problemas mais tarde. Salvar nossas peles é mais importante, no momento.

_Por sorte conhecemos várias passagens secretas. Tentaremos chegar a um lugar seguro, se é que há algum.

 

Os dois saíram dali e foram em direção a uma entrada pouco conhecida, que era utilizada por elfos domésticos, enquanto as vozes em Alemão aproximavam-se. Mas, antes que fossem avistados...

 

_Ici, vite! Aqui, depressa! _ disse uma voz com sotaque francês.

Os dois bruxos olharam na direção de onde vinha a voz e viram que pertencia a um rapaz loiro, de uns dezessete anos. Correram para o lugar onde ele estava, entraram e ele fechou a porta.

Foram conduzidos por um labirinto de corredores, até chegarem ao sétimo andar, em frente à tapeçaria de Barnabás, o amalucado.

_A Sala Precisa. _ murmurou Harry, enquanto a porta mágica aparecia e eles passavam por ela. Em seguida, a porta desapareceu.

 

No interior da Sala Precisa, um grupo de alunos de várias séries reunia-se, à volta de um rádio de ondas curtas trouxa. Através dele, ouviam as notícias do mundo. De repente, um dos alunos levantou-se e veio em direção a eles. Daquela vez, tanto Voldemort quanto Harry ficaram boquiabertos.

 

O aluno era... Tom Marvolo Riddle.

 

_Bom dia. Eu sou Tom Riddle. E vocês, quem são?

 

_M-meu nome é Potter. Harry Potter. _ disse Harry, mal contendo a surpresa.

_E o senhor? _ perguntou ele, dirigindo-se a Voldemort.

_Vold... Moldov. Mariel Dort Moldov. _ disse o Lorde das Trevas, rapidamente criando um outro nome, a partir de um anagrama do seu próprio.

_E de onde vieram? Como foi que conseguiram passar pela guarnição? _ perguntou um aluno loiro, mas não o que os conduzira.

_É uma história longa e meio complicada. _ disse Harry _ E ainda tenho de organizar as idéias, pois eu mesmo não estou entendendo muito bem.

_Pode me dizer o que faz uma guarnição Nazista aqui em Hogwarts, Tom? _ perguntou Voldemort.

_Também é uma longa história, Mariel. _ disse Tom, girando entre os dedos uma varinha. Sua velha varinha de teixo _ Vamos tomar um café, enquanto eu lhes conto tudo. Ainda bem que a Sala Precisa nos fornece o que precisamos.

 

Enquanto tomavam fumegantes xícaras de café, Harry reconheceu alguns dos alunos, os quais só havia visto em fotos.

_Qual sua idade, Tom? _ perguntou Harry.

_Estou com dezessete anos. _ respondeu o jovem.

_Então este deve ser o ano de 1943. _ disse Harry, admirado.

_Sim, é janeiro de 1943. Mas por que a surpresa?

_Faz parte da nossa longa história. _ disse Voldemort _ Como foi que eles conseguiram chegar até aqui?

_Tem tudo a ver com as artimanhas de Hitler e seu maldito conselheiro bruxo, Grindelwald. _ disse Tom _ Toda a Europa acreditava que o baixinho só estava fazendo barulho, ignorando seu papel de apoio a Franco durante a Guerra Civil Espanhola.

_A Legião Condor e o bombardeio de Guernica. _ disse Harry, lembrando-se dos livros de história trouxa _ Se as nações européias tivessem aberto seus olhos a tempo, Hitler e os Nazistas não teriam crescido tanto.

_Oui. _ concordou o loiro que os conduzira, idêntico ao outro sentado ao seu lado _ Enquanto pensavam que a Alemanha não era uma ameaça, Hitler foi transformando-a secretamente em uma formidável máquina de guerre.

_Em 1939, a Polônia foi invadida. _ disse o outro loiro.

_Dia 01/09/1939, para ser mais exato. _ disse Voldemort.

_Isso mesmo, Mariel. _ concordou uma garota de cabelos castanhos e olhos cinza-esverdeados _ Só que quando a Inglaterra declarou guerra à Alemanha, também foi invadida, logo no mesmo dia.

_Uma esquadra, apoiada por uma flotilha de submarinos e uma divisão da Luftwaffe desfechou um ataque, pegando a nação desprevenida. Em dois dias, estavam chegando a Londres. _ disse Tom.

_Despejaram milhares de paraquedistas, que prepararam o terreno para o desembarque das tropas motorizadas. _ disse um jovem de cabelos negros, que tinha uma corrente no pescoço, na qual havia uma medalha com um compasso e um esquadro _ Grande parte do país é deles, agora. Mas nunca conseguiram conquistar tudo, inclusive estão sendo forçados a recuar e perderam vários pontos de importância estratégica, depois que a Resistência se organizou.

_A Família Real é refém em uma gaiola dourada. _ comentou uma garota, de mãos dadas com ele _ Exércem atividades diplomáticas, comparecem a solenidades, mas tudo sob a estrita vigilância dos Nazistas.

_E seu maior reforço é o exército de bruxos das Trevas de Grindelwald. _ disse outra garota _ Ele é o Administrador da Grã-Bretanha, embora sempre haja resistência.

_E quanto a Dumbledore? _ perguntou Harry.

_Dumbledore e a Ordem da Fênix são os principais responsáveis pela resistência bruxa, em apoio às forças trouxas, lideradas por Winston Churchill e com Montgomery como comandante de campo, responsável pelas operações, logo que o Parlamento foi dissolvido. _ disse um jovem, bastante parecido com Sirius.

_Sim, Orion, mas creio que muita coisa poderia ter sido evitada se os trouxas tivessem um Primeiro-Ministro forte à época e não aquela lesma do Chamberlain. _ disse uma garota, abraçada a ele _ Neville Chamberlain e sua política covarde de apaziguamento. Deu de presente à Alemanha os Sudetos e a Boêmia, naquele maldito Tratado de Munique. Por isso que, quando ele renunciou, Churchill disse: “Entre a desonra e a guerra ele escolheu a desonra e agora terá a guerra”.

_O que não impediu que Hitler invadisse a Polônia, Walburga, nem que eles chegassem até aqui. _ disse Tom _ E quando aquele molenga renunciou e Churchill assumiu, Grindelwald e Hitler viram que ele não seria alguém fácil de dobrar, então dissolveram o Parlamento e Churchill entrou na clandestinidade, assumindo o comando das forças de resistência trouxas, enquanto Dumbledore comanda a parte bruxa. Ele teve de sair de Hogwarts, depois que Grindelwald assumiu. Mas sempre dá um jeito de aparecer em Hogsmeade, secretamente e sob disfarces.

_E é só graças a isso que a Grã-Bretanha ainda não está totalmente dominada, constituindo-se em uma cabeça-de-ponte para um ataque aos EUA. Depois que os japoneses atacaram Pearl Harbor em 07/12/1941, os americanos entraram na guerra, tornando-se a maior pedra no sapato de Hitler. _ disse uma garota com um suéter da Corvinal e que usava óculos de lentes grossas _ O fato de serem uma potência industrial e extremamente patriotas fez com que toda sua produção fosse direcionada para a indústria de material bélico e é isso que está segurando o Eixo, aqui na Europa, na África e na Ásia.

_Myrtle. _ sussurrou Voldemort, admirado. O fato não passou despercebido a Tom.

_Então as próximas pretensões de Hitler incluem a idéia de invadir a América? _ perguntou Harry.

_Exatamente. _ disse Orion _ Seus principais alvos são os EUA, na América do Norte e o Brasil, na América do Sul, devido à sua extensão territorial e às suas riquezas naturais.

_E há simpatizantes de Hitler na América do Sul, mais especificamente na Argentina. _ disse Tom _ Um grupo de oficiais parece querer tomar o poder, depondo o Presidente Ramón Castillo. Entre eles há um Coronel bastante esperto, que poderá se destacar, um tal de Perón. No Brasil, Getúlio Vargas ainda estava neutro, mas depois que submarinos Nazistas afundaram embarcações civis daquele país em fevereiro do ano passado, o Brasil cerrou fileiras com os aliados, inclusive cedendo a base de Parnamirim para utilização pela USAF, junto com a FAB, para reabastecimento e lançamento das esquadrilhas de caças que protegem os comboios no Atlântico. Mas enquanto segurarmos os Nazistas aqui, eles não poderão prosseguir com seus planos.

_E o que eles pretendem fazer aqui em Hogwarts? _ perguntou Voldemort.

_Estão começando a instalar um laboratório de pesquisas para desenvolvimento de armas, combinando tecnologia trouxa e magia. _ disse Myrtle, olhando para o rosto viperino, com certa curiosidade e também com um pouco de medo daquela pessoa, ela não sabia bem o porquê _ mas estão sofrendo algumas... sabotagens.

_Por parte dos alunos e, é lógico, de alguns professores, os que não saíram dos efetivos de Grindelwald. _ disse a garota de olhos cinza-esverdeados, aproximando-se de Tom e sentando-se ao seu lado _ E vocês, não vão contar sua história?

_Mais tarde, Minerva. _ disse Tom, dando um beijo no rosto da colega, enquanto Harry pensava: “Profª McGonnagall”? Voldemort também parecia ter reconhecido a garota _ Vamos deixá-los à vontade, para que descansem. Depois eles nos contarão, certo?

_OK. _ disseram Harry e Voldemort.

_Só uma pergunta. _ disse Harry _ Como é que não notam a falta de vocês?

_Esta é para você responder, Renata. _ disse Tom, sorrindo para a garota de cabelos negros.

_Com isso aqui. _ disse ela, mostrando alguns bonecos de papel, com caracteres japoneses _ Alguns Shikigami nos substituem.

_Você conhece Magia Onmiyô? _ perguntou Voldemort.

_Sim. E também possuo grau de Mestre Ninja, graças ao que aprendi com meu pai adotivo, Ryusaku Komori, no Japão. _ disse ela.

 

 

Tom Riddle e os outros foram cuidar de seus afazeres, enquanto Harry e Voldemort terminaram suas xícaras de café e conversavam em voz baixa.

_Isto está cada vez mais estranho, Harry Potter. _ disse Voldemort.

_Concordo, Voldemort. Você é um bruxo bastante poderoso e de grandes conhecimentos. Tem alguma ideia do que pode ter acontecido conosco? Embora eu já tenha alguns palpites.

Vindo de você, meu maior inimigo, esse comentário é um dos maiores elogios que eu poderia receber. _ disse Voldemort _ Mesmo meus conhecimentos têm limites, assim como os de Dumbledore. Sobre o que está ocorrendo, a maior parte é especulação, mas creio que a energia gerada pelo choque dos nossos feitiços foi tão grande que causou uma fratura no Continuum tempo-espaço.

_E essa fratura pode ter criado uma fenda temporal, que nos jogou de volta ao ano de 1943.

_Mais do que isso, Harry Potter. A fratura foi tão profunda, que atingiu o Continuum Multiversal. A fenda que se abriu nos lançou no passado, mas não na nossa dimensão.

_Uma realidade alternativa? Um universo paralelo?

_Exatamente. E nesta realidade...

_... Os Nazistas conseguiram invadir a Grã-Bretanha, sendo que na nossa realidade eles bombardearam a Inglaterra, mas nunca colocaram os pés nela. Por isso que há vários alunos do seu tempo dos quais nunca ouvi falar.

_Nem eu. _ disse Voldemort _ Nunca imaginei que Abraxas Malfoy...

_... O avô de Draco?

_Sim. Nesta realidade ele tem um irmão gêmeo, aquele que fala com sotaque francês. E há também Hiram, Renata, Fabiola, Salvatore, Giuletta e vários outros que não existem na nossa.

_Além de que sua contraparte mais jovem parece se dar muito bem com a Profª McGonnagall... digo, Minerva. Aqui ela ainda é aluna.

_Bem... não posso negar que cheguei a ter atração por ela, nos tempos de aluno. E era meio recíproco, ainda que você não acredite. _ disse Voldemort, meio sem jeito e corando de leve, o máximo que sua palidez permitia. _ Mas nossos caminhos divergiram, como todos sabem. Ela foi ser professora e fazer parte da Ordem da Fênix e eu segui a trilha das Trevas.

_Acho que descobri porque suas varinhas desapareceram, Voldemort. _ disse Harry _ Nesta realidade Dumbledore ainda está vivo. Portanto a Varinha das Varinhas está com ele. Ou melhor, com Grindelwald, já que Dumbledore somente conseguiu ou conseguirá conquistá-la após vemcê-lo em duelo, em 1945.

_E minha varinha de teixo está com minha contraparte, o jovem Tom Riddle. É estranho pensar nisso, mas há muitas coisas com que nos preocuparmos, Harry Potter. Entre elas, como faremos para voltar à nossa realidade. Se bem que...

_... Se bem que o quê, Voldemort? _ perguntou Harry.

_Você pode até achar estranho o que vou dizer, Harry Potter, mas estou com vontade de ficar um pouco mais e ajudá-los a expulsar os Nazistas da Grã-Bretanha.

_Como é que é, Voldemort? _ espantou-se Harry.

_Sou um bruxo das Trevas, maligno e assassino, sim. Sou tudo isso, mas sou inglês e gosto do meu país. Os eventos que você estudou nas aulas de História em escolas trouxas e em Hogwarts, eu os vivi. Me revolta a bile ver essa maldita suástica que, certamente, está tremulando em Piccadilly, enquanto tropas da Wehrmacht desfilam em passo de ganso, sob sua sombra. É uma afronta a tudo o que bruxos e trouxas levaram séculos para construir. Além disso, ainda há aquele outro símbolo, na bandeira ao lado da bandeira Nazista.

_O emblema de Grindelwald? _ perguntou Harry _ As Relíquias da Morte?

_É. Significa que ele deve possuir um alto cargo entre os Nazistas, inclusive Tom disse que ele é conselheiro de Hitler. Se eles vencerem, se conseguirem atingir seus objetivos, toda a Inglaterra estará submissa a eles e a idéia de submissão também é algo que me embrulha o estômago, como você já sabe. Não gosto de me curvar a ninguém, principalmente a covardes que matam sem olhar nos olhos de suas vítimas.

_Auschwitz, Bergen-Belsen, Treblinka...

_... Buchenwald, Sobibor, Majdanek e outros. Sou um assassino, como eu já lhe disse, mas pelo menos eu vejo o rosto de quem estou matando. É mais honrado assim.

_Você fala como um Samurai, Voldemort.

_Confesso que assimilei alguma coisa do Bushido, além de ter recebido vestígios de bondade, bem poucos, durante a formação do nosso elo mental, quando tentei te matar pela primeira vez.

_Então, você quer ajudá-los a combater os Nazistas, Voldemort?

_Sim, Harry Potter. Se somarmos os meus poderes, que são grandes, aos seus próprios, que não são pequenos, poderemos ser de grande ajuda para esse núcleo de resistência. _ disse Voldemort _ Além disso, não podemos ficar simplesmente parados durante o tempo em que pensamos em um meio de retornar à nossa própria realidade. E aí, Harry Potter? Vamos celebrar uma trégua, enquanto estivermos nesta situação?

_Está bem, Voldemort. _ disse Harry _ Vamos ajudá-los, contra os Nazistas e o exército bruxo de Grindelwald.

 

_Fico contente com isso. E agora, que tal vocês dois me contarem quem são, de verdade? _ ouviu-se uma voz, atrás deles.

 

Quando se voltaram, Tom Riddle estava com a varinha apontada para os dois, tendo uma expressão de curiosidade no rosto.

 

As explicações teriam de ser muito boas e convincentes.