terça-feira, 27 de maio de 2025

 

CAPÍTULO 1

 

VORTEX

 

 

 

 

 

 

 

 

Era o momento da decisão. Os Death Eaters estavam ou mortos ou capturados. Estavam somente Harry e Voldemort, preparando-se para lançarem os seus feitiços finais, com toda a força de que ainda dispunham, depois daquela feroz batalha que custara as vidas de várias pessoas de ambos os lados. Remus, Tonks, Moody, Fred, Lilá e Colin, entre outros. Os bruxos das Trevas também sofreram pesadas perdas, com a morte de Bellatrix, Greyback, Thicknesse, Crabbe, McNair e vários outros Death Eaters.

 

Cansados, cheios de escoriações, equimoses e cortes, o Lorde das Trevas (agora sem suas preciosas Horcruxes para protegê-lo), portando a Varinha das Varinhas e o “Menino-Que-Sobreviveu”, empunhando a varinha que tomara de Draco Malfoy durante o confronto na Mansão Malfoy, em Wiltshire, colocaram-se em posição de combate e, partindo para o tudo ou nada, lançaram seus feitiços.

 

_AVADA KEDAVRA! _ bradou o Lorde, enquanto sua varinha disparava um mortal raio verde.

_EXPELLIARMUS! _ Harry contra-atacou, sabendo que a Avada Kedavra não o mataria, pois a proteção gerada pelo sacrifício de sua mãe voltara a ter força.

 

Todos esperavam que, mesmo as varinhas não sendo irmãs, ocoresse algum tipo de ressonância semelhante àquela que já ocorrera três anos antes. Mas ninguém poderia prepará-los para o que aconteceu.

 

Quando o raio escarlate do feitiço de Harry encontrou-se com o raio verde lançado por Voldemort, um luminoso globo branco formou-se e começou a crescer, envolvendo os dois bruxos, ocultando-os da vista de todos e, logo em seguida, implodindo e deixando ver somente o terreno vazio no qual os dois haviam estado.

 

_Mas o que houve? _ perguntou Hermione.

_Não faço a menor ideia. _ disse Rony _ Só sei que tanto Harry quanto Voldemort desapareceram sem deixar vestígios.

_Não... não p-pode ser. _ balbuciou Gina, vendo que seu namorado desaparecera, junto com o Lorde das Trevas _ Para onde podem ter ido?

_Ou ambos se destruíram. _ disse Draco, que se aproximara do local, enquanto os Aurores manietavam e recolhiam os Death Eaters remanescentes. Lucius e Narcisa foram deixados de lado, pois não representavam mais nenhum tipo de perigo. O bruxo loiro não passava de uma sombra do que já fora.

_Cale a boca, Malfoy! _ exclamou Neville _ Se eles tivessem se destruído, algum sinal haveria de ficar.

_Transporte... _ murmurou Luna Lovegood.

_O quê, Srta. Lovegood? _ perguntou Minerva McGonnagall.

_Transporte. Só não sei para onde... ou quando. _ respondeu a loirinha.

 

Muitos pensavam que era somente mais uma das excentricidades de Luna, mas alguns bruxos mais experientes e poderosos sabiam do que ela falava e concordavam com ela. Harry e Voldemort não haviam se destruído, apenas não estavam mais ali.

Mas onde estariam? Ou quando estariam? Será que eles mesmos sabiam?

 

 

Quando o globo luminoso os envolveu, ambos ficaram paralisados e começaram a sentir que tudo girava ao seu redor, semelhante à sensação de viajar com uma Chave de Portal, só que bem mais intensa. Quando ela cessou, os dois ainda estavam frente a frente, mas algo estava diferente.

Para começar, Voldemort não mais empunhava a Varinha das Varinhas. E ao enfiar a mão no bolso das vestes, à procura de sua velha varinha de teixo e cerne de pena de Fênix, aquela também não se encontrava mais lá. Em compensação, Harry ainda tinha a sua varinha atual.

_O que você fez com minha varinha, moleque dos infernos?

_Sei lá da sua varinha. _ respondeu Harry _ Primeiro vou esperar que o mundo pare de rodar e rezar para que eu não vomite.

 

O garoto respirou fundo e esperou que a tontura e a náusea passassem. Enquanto isso, Voldemort fazia a mesma coisa, pois também estava tonto e enjoado.

_Concordo com você. _ disse Voldemort _ Meu estômago parece que quer dar um passeio fora do meu corpo. Alguma ideia do que aconteceu, Harry Potter?

_Nenhuma, Voldemort. Aliás, onde estamos?

_Estamos em Hogwarts, no mesmo local em que estávamos duelando. Mas algo está diferente.

_Tem razão, é o pátio frontal de Hogwarts. Mas para onde foram todos, os Death Eaters, os bruxos da Ordem da Fênix, as criaturas, tudo o mais e... veja, está tudo inteiro!

_Deveria estar tudo destruído, cheio de destroços, depois da batalha. _ disse Voldemort, enquanto olhava em volta _ Mas não sei se a situação e melhor. Olhe à nossa volta.

Harry olhou e seu queixo quase caiu com o que viu.

 

Guaritas, veículos militares antiquados que não eram ingleses, espalhavam-se em meio à neve. Para sorte dos dois, o frio mantinha dentro das guaritas quem quer que as ocupasse. Na entrada do castelo, duas bandeiras que cobriam a frente, quase até a porta principal, uma branca com um símbolo que representava um triângulo equilátero com um círculo inscrito, cortado longitudinalmente por uma reta que se prolongava até o vértice superior do triângulo. O símbolo das Relíquias da Morte, o símbolo de Grindelwald. A outra bandeira era vermelha, com um círculo branco no centro. Mas o pior era a figura dentro do círculo.

 

Uma suástica destrógira, de cor preta.

 

Passado o susto inicial, os dois inimigos mortais perceberam que a situação deveria ser analisada com cuidado e que deveriam esquecer, ao menos temporariamente, suas sérias diferenças e trabalharem juntos, se quisessem sobreviver. Principalmente porque começaram a ouvir vozes que se aproximavam. E elas falavam em Alemão.

_Vamos sair daqui antes que nos vejam, Voldemort.

_De acordo, Harry Potter. Deixemos para resolver nossos problemas mais tarde. Salvar nossas peles é mais importante, no momento.

_Por sorte conhecemos várias passagens secretas. Tentaremos chegar a um lugar seguro, se é que há algum.

 

Os dois saíram dali e foram em direção a uma entrada pouco conhecida, que era utilizada por elfos domésticos, enquanto as vozes em Alemão aproximavam-se. Mas, antes que fossem avistados...

 

_Ici, vite! Aqui, depressa! _ disse uma voz com sotaque francês.

Os dois bruxos olharam na direção de onde vinha a voz e viram que pertencia a um rapaz loiro, de uns dezessete anos. Correram para o lugar onde ele estava, entraram e ele fechou a porta.

Foram conduzidos por um labirinto de corredores, até chegarem ao sétimo andar, em frente à tapeçaria de Barnabás, o amalucado.

_A Sala Precisa. _ murmurou Harry, enquanto a porta mágica aparecia e eles passavam por ela. Em seguida, a porta desapareceu.

 

No interior da Sala Precisa, um grupo de alunos de várias séries reunia-se, à volta de um rádio de ondas curtas trouxa. Através dele, ouviam as notícias do mundo. De repente, um dos alunos levantou-se e veio em direção a eles. Daquela vez, tanto Voldemort quanto Harry ficaram boquiabertos.

 

O aluno era... Tom Marvolo Riddle.

 

_Bom dia. Eu sou Tom Riddle. E vocês, quem são?

 

_M-meu nome é Potter. Harry Potter. _ disse Harry, mal contendo a surpresa.

_E o senhor? _ perguntou ele, dirigindo-se a Voldemort.

_Vold... Moldov. Mariel Dort Moldov. _ disse o Lorde das Trevas, rapidamente criando um outro nome, a partir de um anagrama do seu próprio.

_E de onde vieram? Como foi que conseguiram passar pela guarnição? _ perguntou um aluno loiro, mas não o que os conduzira.

_É uma história longa e meio complicada. _ disse Harry _ E ainda tenho de organizar as idéias, pois eu mesmo não estou entendendo muito bem.

_Pode me dizer o que faz uma guarnição Nazista aqui em Hogwarts, Tom? _ perguntou Voldemort.

_Também é uma longa história, Mariel. _ disse Tom, girando entre os dedos uma varinha. Sua velha varinha de teixo _ Vamos tomar um café, enquanto eu lhes conto tudo. Ainda bem que a Sala Precisa nos fornece o que precisamos.

 

Enquanto tomavam fumegantes xícaras de café, Harry reconheceu alguns dos alunos, os quais só havia visto em fotos.

_Qual sua idade, Tom? _ perguntou Harry.

_Estou com dezessete anos. _ respondeu o jovem.

_Então este deve ser o ano de 1943. _ disse Harry, admirado.

_Sim, é janeiro de 1943. Mas por que a surpresa?

_Faz parte da nossa longa história. _ disse Voldemort _ Como foi que eles conseguiram chegar até aqui?

_Tem tudo a ver com as artimanhas de Hitler e seu maldito conselheiro bruxo, Grindelwald. _ disse Tom _ Toda a Europa acreditava que o baixinho só estava fazendo barulho, ignorando seu papel de apoio a Franco durante a Guerra Civil Espanhola.

_A Legião Condor e o bombardeio de Guernica. _ disse Harry, lembrando-se dos livros de história trouxa _ Se as nações européias tivessem aberto seus olhos a tempo, Hitler e os Nazistas não teriam crescido tanto.

_Oui. _ concordou o loiro que os conduzira, idêntico ao outro sentado ao seu lado _ Enquanto pensavam que a Alemanha não era uma ameaça, Hitler foi transformando-a secretamente em uma formidável máquina de guerre.

_Em 1939, a Polônia foi invadida. _ disse o outro loiro.

_Dia 01/09/1939, para ser mais exato. _ disse Voldemort.

_Isso mesmo, Mariel. _ concordou uma garota de cabelos castanhos e olhos cinza-esverdeados _ Só que quando a Inglaterra declarou guerra à Alemanha, também foi invadida, logo no mesmo dia.

_Uma esquadra, apoiada por uma flotilha de submarinos e uma divisão da Luftwaffe desfechou um ataque, pegando a nação desprevenida. Em dois dias, estavam chegando a Londres. _ disse Tom.

_Despejaram milhares de paraquedistas, que prepararam o terreno para o desembarque das tropas motorizadas. _ disse um jovem de cabelos negros, que tinha uma corrente no pescoço, na qual havia uma medalha com um compasso e um esquadro _ Grande parte do país é deles, agora. Mas nunca conseguiram conquistar tudo, inclusive estão sendo forçados a recuar e perderam vários pontos de importância estratégica, depois que a Resistência se organizou.

_A Família Real é refém em uma gaiola dourada. _ comentou uma garota, de mãos dadas com ele _ Exércem atividades diplomáticas, comparecem a solenidades, mas tudo sob a estrita vigilância dos Nazistas.

_E seu maior reforço é o exército de bruxos das Trevas de Grindelwald. _ disse outra garota _ Ele é o Administrador da Grã-Bretanha, embora sempre haja resistência.

_E quanto a Dumbledore? _ perguntou Harry.

_Dumbledore e a Ordem da Fênix são os principais responsáveis pela resistência bruxa, em apoio às forças trouxas, lideradas por Winston Churchill e com Montgomery como comandante de campo, responsável pelas operações, logo que o Parlamento foi dissolvido. _ disse um jovem, bastante parecido com Sirius.

_Sim, Orion, mas creio que muita coisa poderia ter sido evitada se os trouxas tivessem um Primeiro-Ministro forte à época e não aquela lesma do Chamberlain. _ disse uma garota, abraçada a ele _ Neville Chamberlain e sua política covarde de apaziguamento. Deu de presente à Alemanha os Sudetos e a Boêmia, naquele maldito Tratado de Munique. Por isso que, quando ele renunciou, Churchill disse: “Entre a desonra e a guerra ele escolheu a desonra e agora terá a guerra”.

_O que não impediu que Hitler invadisse a Polônia, Walburga, nem que eles chegassem até aqui. _ disse Tom _ E quando aquele molenga renunciou e Churchill assumiu, Grindelwald e Hitler viram que ele não seria alguém fácil de dobrar, então dissolveram o Parlamento e Churchill entrou na clandestinidade, assumindo o comando das forças de resistência trouxas, enquanto Dumbledore comanda a parte bruxa. Ele teve de sair de Hogwarts, depois que Grindelwald assumiu. Mas sempre dá um jeito de aparecer em Hogsmeade, secretamente e sob disfarces.

_E é só graças a isso que a Grã-Bretanha ainda não está totalmente dominada, constituindo-se em uma cabeça-de-ponte para um ataque aos EUA. Depois que os japoneses atacaram Pearl Harbor em 07/12/1941, os americanos entraram na guerra, tornando-se a maior pedra no sapato de Hitler. _ disse uma garota com um suéter da Corvinal e que usava óculos de lentes grossas _ O fato de serem uma potência industrial e extremamente patriotas fez com que toda sua produção fosse direcionada para a indústria de material bélico e é isso que está segurando o Eixo, aqui na Europa, na África e na Ásia.

_Myrtle. _ sussurrou Voldemort, admirado. O fato não passou despercebido a Tom.

_Então as próximas pretensões de Hitler incluem a idéia de invadir a América? _ perguntou Harry.

_Exatamente. _ disse Orion _ Seus principais alvos são os EUA, na América do Norte e o Brasil, na América do Sul, devido à sua extensão territorial e às suas riquezas naturais.

_E há simpatizantes de Hitler na América do Sul, mais especificamente na Argentina. _ disse Tom _ Um grupo de oficiais parece querer tomar o poder, depondo o Presidente Ramón Castillo. Entre eles há um Coronel bastante esperto, que poderá se destacar, um tal de Perón. No Brasil, Getúlio Vargas ainda estava neutro, mas depois que submarinos Nazistas afundaram embarcações civis daquele país em fevereiro do ano passado, o Brasil cerrou fileiras com os aliados, inclusive cedendo a base de Parnamirim para utilização pela USAF, junto com a FAB, para reabastecimento e lançamento das esquadrilhas de caças que protegem os comboios no Atlântico. Mas enquanto segurarmos os Nazistas aqui, eles não poderão prosseguir com seus planos.

_E o que eles pretendem fazer aqui em Hogwarts? _ perguntou Voldemort.

_Estão começando a instalar um laboratório de pesquisas para desenvolvimento de armas, combinando tecnologia trouxa e magia. _ disse Myrtle, olhando para o rosto viperino, com certa curiosidade e também com um pouco de medo daquela pessoa, ela não sabia bem o porquê _ mas estão sofrendo algumas... sabotagens.

_Por parte dos alunos e, é lógico, de alguns professores, os que não saíram dos efetivos de Grindelwald. _ disse a garota de olhos cinza-esverdeados, aproximando-se de Tom e sentando-se ao seu lado _ E vocês, não vão contar sua história?

_Mais tarde, Minerva. _ disse Tom, dando um beijo no rosto da colega, enquanto Harry pensava: “Profª McGonnagall”? Voldemort também parecia ter reconhecido a garota _ Vamos deixá-los à vontade, para que descansem. Depois eles nos contarão, certo?

_OK. _ disseram Harry e Voldemort.

_Só uma pergunta. _ disse Harry _ Como é que não notam a falta de vocês?

_Esta é para você responder, Renata. _ disse Tom, sorrindo para a garota de cabelos negros.

_Com isso aqui. _ disse ela, mostrando alguns bonecos de papel, com caracteres japoneses _ Alguns Shikigami nos substituem.

_Você conhece Magia Onmiyô? _ perguntou Voldemort.

_Sim. E também possuo grau de Mestre Ninja, graças ao que aprendi com meu pai adotivo, Ryusaku Komori, no Japão. _ disse ela.

 

 

Tom Riddle e os outros foram cuidar de seus afazeres, enquanto Harry e Voldemort terminaram suas xícaras de café e conversavam em voz baixa.

_Isto está cada vez mais estranho, Harry Potter. _ disse Voldemort.

_Concordo, Voldemort. Você é um bruxo bastante poderoso e de grandes conhecimentos. Tem alguma ideia do que pode ter acontecido conosco? Embora eu já tenha alguns palpites.

Vindo de você, meu maior inimigo, esse comentário é um dos maiores elogios que eu poderia receber. _ disse Voldemort _ Mesmo meus conhecimentos têm limites, assim como os de Dumbledore. Sobre o que está ocorrendo, a maior parte é especulação, mas creio que a energia gerada pelo choque dos nossos feitiços foi tão grande que causou uma fratura no Continuum tempo-espaço.

_E essa fratura pode ter criado uma fenda temporal, que nos jogou de volta ao ano de 1943.

_Mais do que isso, Harry Potter. A fratura foi tão profunda, que atingiu o Continuum Multiversal. A fenda que se abriu nos lançou no passado, mas não na nossa dimensão.

_Uma realidade alternativa? Um universo paralelo?

_Exatamente. E nesta realidade...

_... Os Nazistas conseguiram invadir a Grã-Bretanha, sendo que na nossa realidade eles bombardearam a Inglaterra, mas nunca colocaram os pés nela. Por isso que há vários alunos do seu tempo dos quais nunca ouvi falar.

_Nem eu. _ disse Voldemort _ Nunca imaginei que Abraxas Malfoy...

_... O avô de Draco?

_Sim. Nesta realidade ele tem um irmão gêmeo, aquele que fala com sotaque francês. E há também Hiram, Renata, Fabiola, Salvatore, Giuletta e vários outros que não existem na nossa.

_Além de que sua contraparte mais jovem parece se dar muito bem com a Profª McGonnagall... digo, Minerva. Aqui ela ainda é aluna.

_Bem... não posso negar que cheguei a ter atração por ela, nos tempos de aluno. E era meio recíproco, ainda que você não acredite. _ disse Voldemort, meio sem jeito e corando de leve, o máximo que sua palidez permitia. _ Mas nossos caminhos divergiram, como todos sabem. Ela foi ser professora e fazer parte da Ordem da Fênix e eu segui a trilha das Trevas.

_Acho que descobri porque suas varinhas desapareceram, Voldemort. _ disse Harry _ Nesta realidade Dumbledore ainda está vivo. Portanto a Varinha das Varinhas está com ele. Ou melhor, com Grindelwald, já que Dumbledore somente conseguiu ou conseguirá conquistá-la após vemcê-lo em duelo, em 1945.

_E minha varinha de teixo está com minha contraparte, o jovem Tom Riddle. É estranho pensar nisso, mas há muitas coisas com que nos preocuparmos, Harry Potter. Entre elas, como faremos para voltar à nossa realidade. Se bem que...

_... Se bem que o quê, Voldemort? _ perguntou Harry.

_Você pode até achar estranho o que vou dizer, Harry Potter, mas estou com vontade de ficar um pouco mais e ajudá-los a expulsar os Nazistas da Grã-Bretanha.

_Como é que é, Voldemort? _ espantou-se Harry.

_Sou um bruxo das Trevas, maligno e assassino, sim. Sou tudo isso, mas sou inglês e gosto do meu país. Os eventos que você estudou nas aulas de História em escolas trouxas e em Hogwarts, eu os vivi. Me revolta a bile ver essa maldita suástica que, certamente, está tremulando em Piccadilly, enquanto tropas da Wehrmacht desfilam em passo de ganso, sob sua sombra. É uma afronta a tudo o que bruxos e trouxas levaram séculos para construir. Além disso, ainda há aquele outro símbolo, na bandeira ao lado da bandeira Nazista.

_O emblema de Grindelwald? _ perguntou Harry _ As Relíquias da Morte?

_É. Significa que ele deve possuir um alto cargo entre os Nazistas, inclusive Tom disse que ele é conselheiro de Hitler. Se eles vencerem, se conseguirem atingir seus objetivos, toda a Inglaterra estará submissa a eles e a idéia de submissão também é algo que me embrulha o estômago, como você já sabe. Não gosto de me curvar a ninguém, principalmente a covardes que matam sem olhar nos olhos de suas vítimas.

_Auschwitz, Bergen-Belsen, Treblinka...

_... Buchenwald, Sobibor, Majdanek e outros. Sou um assassino, como eu já lhe disse, mas pelo menos eu vejo o rosto de quem estou matando. É mais honrado assim.

_Você fala como um Samurai, Voldemort.

_Confesso que assimilei alguma coisa do Bushido, além de ter recebido vestígios de bondade, bem poucos, durante a formação do nosso elo mental, quando tentei te matar pela primeira vez.

_Então, você quer ajudá-los a combater os Nazistas, Voldemort?

_Sim, Harry Potter. Se somarmos os meus poderes, que são grandes, aos seus próprios, que não são pequenos, poderemos ser de grande ajuda para esse núcleo de resistência. _ disse Voldemort _ Além disso, não podemos ficar simplesmente parados durante o tempo em que pensamos em um meio de retornar à nossa própria realidade. E aí, Harry Potter? Vamos celebrar uma trégua, enquanto estivermos nesta situação?

_Está bem, Voldemort. _ disse Harry _ Vamos ajudá-los, contra os Nazistas e o exército bruxo de Grindelwald.

 

_Fico contente com isso. E agora, que tal vocês dois me contarem quem são, de verdade? _ ouviu-se uma voz, atrás deles.

 

Quando se voltaram, Tom Riddle estava com a varinha apontada para os dois, tendo uma expressão de curiosidade no rosto.

 

As explicações teriam de ser muito boas e convincentes.

 Chego a sentir vergonha de ter ficado tantos anos sem postar. Mas há justificativas. Perdas na família, um período de depressão e, por último, uma cirurgia cardíaca, que merendeu uma "lembrancinha" de quase um palmo no tórax. Mas, para refrescar a memória dos poucos que me seguem, anuncio que concluí a Saga dos Bruxos-Ninjas e tenho outras histórias, tipo uma que me ocorreu quando imaginei "e se, ao final da Batalha de Hogwarts, Harry e Voldemort fossem lançados ao passado de um universo paralelo, no qual os nazistas tivessem invadido a Grã-Bretanha e os dois fossem obrigados a juntar forças para ajudar a expulsá-los e vencer a guerra, enquanto tentavam encontrar um modo de retornar ao seu tempo e lugar?" Daí nasceu "Possíveis Passados Paralelos, que comecei em 2012 e está em andamento. Se ainda não a conhecem, ela está no PlusFanfiction, o antigo Nyah. Vamos recomeçar a colocar alguns textos, portanto.


CAPÍTULO 0

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

Durante o duelo final entre Harry Potter e Lord Voldemort, o choque do último feitiço que ambos dispararam provocou uma enorme onda de energia, que fraturou o Continuum espaço-tempo-dimensional.

Em consequência, o bruxinho e o Lorde das Trevas foram sugados pelo vórtice que se formou e lançados para o ano de 1943, em uma realidade paralela.

Lá, as circunstâncias forçam os dois a uma trégua e uma aliança com o grupo de resistência aos invasores Nazistas, formado por alunos e professores de Hogwarts, bem sob o nariz de Grindelwald, tendo Tom Marvolo Riddle como líder dos alunos.

Juntos, todos eles lutam para expulsar a Wehrmacht e o exército das Trevas de Grindelwald, a fim de virar a maré da guerra a favor dos Aliados.

Conseguirão Harry Potter e os dois Tom Riddle contribuir para que o flagelo da suástica e mais o exército bruxo do mal sejam derrotados também nessa realidade? E mais, conseguirão Voldemort e Harry retornar ao seu lugar certo entre as inúmeras dimensões paralelas? E como é que os fatos vividos no passado influenciarão seus pensamentos, se e quando retornarem ao presente?

 

Leiam e saibam.

 

J. M. Flamel


quinta-feira, 22 de maio de 2014

こんばんは、友人 (Boa noite, amigos). Lembram-se de que eu postei a primeira página de um Mangá que havia começado a desenhar, meio que de brincadeira, intitulado "Kitsune no Kamen" e depois mais nada? Acontece que tive um problema com a pen-drive na qual estava salvo e acabei perdendo TODAS as imagens que havia escaneado, bem como TODAS as minhas Fanfictions e as histórias originais. Ainda bem que eu tinha as imagens e o texto das histórias originais em pdf e em versão impressa. O que eu não tinha, tive de copiar e colar do Floreios & Borrões e do Nyah! Fanfiction, colar em arquivos do Word e depois reformatar TODOS os capítulos. Não foi fácil, mas o trabalho foi concluído. Agora posso voltar a postar e começarei dando continuidade a "Kitsune no Kamen", compensando a ausência com uma postagem de algumas páginas, nas quais o traço vai evoluindo, pois a prática conduz à perfeição. Bem, vamos lá. Gostaria de receber comentários, どうぞ (por favor). Então, また後で (vejo vocês depois).







segunda-feira, 12 de maio de 2014

Estou vivo e publicando, mesmo após 2 anos sem postar nada (eita preguiçoso).

CAPÍTULO 14
REVELAÇÕES, PÁSCOA E N.O.Ms


Os colegas da Grifinória, especialmente os do quinto ano, ficavam admirados com a tranqüilidade manifestada por Gina e Janine quanto à proximidade dos N.O.Ms. Geralmente os exames de nivelamento eram cercados de toda espécie de manifestações de ansiedade, incluindo os já esperados pequenos surtos histéricos que, aos poucos, iam enchendo a ala hospitalar e a paciência de Madame Pomfrey:
_Todo ano é a mesma coisa! Uma grande parte dos alunos não agüenta a pressão e vem parar aqui. Ainda bem que vocês duas se voluntariaram para me ajudar. Srta. Weasley, Srta. Sandoval, vocês são das poucas que não agem como se tivessem acabado de ter um encontro com Lord Voldemort em pessoa. Como vocês fazem isso?
_Nós nos julgamos bem preparadas, Madame Pomfrey. No momento não estamos tendo mais aulas, somente revisões. _ respondeu Gina _ Além disso, pelo menos para mim, encontrar Voldemort não é nenhuma novidade, como a senhora já sabe. Então, não há muita coisa capaz de me assustar, não é, Jan?
_É, Gina. Do meu lado, já vi a morte de perto por várias vezes desde criança devido a esse meu gosto por esportes radicais, portanto o perigo não me assusta muito. Sem contar que já estive a um nadinha de cair nas mãos dos Death Eaters. Então, Madame Pomfrey, não dá para ficar estressada com exames de nivelamento, a senhora não concorda?
_Com certeza, meninas. _ disse Madame Pomfrey, rindo _ Vocês valem ouro. A Srta. Weasley, por exemplo, consegue manter longe daqui o meu maior freguês.
_Harry Potter? _ perguntou Janine.
_Isso mesmo. Um pouco mais e ele teria um leito privativo aqui, identificado por uma placa dourada com o nome dele.
_Ele já me disse alguma coisa sobre isso, dos “incidentes” nos anos anteriores e do talento natural para atrair problemas. _ comentou Janine, rindo.
_E a senhorita, Srta. Sandoval, conseguiu trazer para o lado certo um jovem que estava a perder-se definitivamente para o caminho do mal. Nunca pensei que viveria para ver Draco Malfoy e Harry Potter como amigos. Eles começaram a se odiar desde o primeiro ano. Realmente,mesmo que ele já estivesse em conflito, questionando a validade de ser leal às Trevas e amadurecendo a idéia de desertar, foi preciso o poder do amor, do amor de Draco por você e de você por ele para desencadear a decisão que ele tomou. Lembro-me que Tiago e Lucius também não se davam, embora o maior ódio fosse entre Severo e Tiago. Aliás, Severo era tão retraído, pouco chegado a esportes, pois não voava muito bem, sempre enfiado em livros, quase sem nenhum amigo, mesmo dentro da Sonserina. Eu fiquei espantada quando soube que um dos poucos com quem Severo tinha proximidade e por que não dizer amizade, era contra toda a lógica, um grifinório: Derek Mason. Olhem, garotas, o que vou lhes dizer é extremamente sigiloso. Só estou revelando tais fatos porque vocês têm conhecimento da Ordem da Fênix, Gina Weasley já combateu contra os Death Eaters no ano passado e os pais dela fazem parte da Ordem.
_Pode falar, Madame Pomfrey. Saberemos guardar segredo. _ disseram as duas jovens.
_Muito bem, meninas, aí vai: No sétimo ano Severo Snape juntou-se aos Death Eaters, por motivos que desconheço. Derek Mason ficou sabendo e procurou por ele, retornando muito triste. Nunca soube o teor da conversa. Depois da formatura, Tiago e Lílian juntaram-se à Ordem da Fênix. Tiago administrava os negócios da família e preparava-se para lecionar Defesa Contra as Artes das Trevas, pois havia sido convidado por Dumbledore. Lílian estudava para ser Medi-Bruxa. Derek entrou para a Escola de Aurores e Severo tomou destino ignorado, retornando uns três anos antes de Harry nascer. Uma noite na qual o mundo parecia acabar, tal era a chuva, Derek, que já era Auror, veio secretamente a Hogwarts para investigar uma denúncia e surpreendeu Severo, prestes a tentar matar Dumbledore em seus aposentos. Imobilizou Severo e perguntou:
_Por que, Severo? Por que essa atrocidade?
_Nada mais me importa, Derek. Você bem sabe, pela conversa que tivemos.
_Você está enganado, Severo. Sempre há algo que importa. Mas nada justifica matar alguém como Dumbledore.
_Eu sei, Derek. Seria a minha última missão. Eu iria tirar minha vida logo a seguir, pois não conseguiria mais viver com essa vergonha.
_Então o Prof. Snape tentou matar o Prof. Dumbledore? _ perguntou Janine, horrorizada.
_Sim, Srta. Sandoval. E, naquele momento, Dumbledore aproximou-se e disse:
_Severo, me matar e se matar depois não iria resolver nada. Se quiser expiar a culpa e o remorso pelos erros cometidos no passado, faça-o corrigindo sua conduta. Não dá para recuperar as vidas que você possa ter tirado, mas podemos evitar que outras se percam. Ofereço a você a chance de recomeçar, embora o perigo não seja menor do que o que você já enfrenta.
_O senhor está me oferecendo uma segunda chance, Prof. Dumbledore? Mesmo que eu quase o tenha matado?
_Sim, Severo. Eu teria conseguido evitar que você me matasse, embora a idéia de precisar destruí-lo me repugnasse. Em lugar disso, apresento a oportunidade de juntar-se a nós.
_Quer que eu abandone os Death Eaters e o Lorde das Trevas, professor?
_Pelo contrário, Severo. Você será mais importante permanecendo entre eles, infiltrado.
_Espionar para o lado da Luz, professor?
_Não vou iludi-lo, Severo. Ser espião da Ordem da Fênix entre os bruxos das Trevas será uma tarefa perigosíssima. Sua vida sempre estará por um fio.
_Eu aceito, professor. Se eu puder evitar que outras vidas se percam, estarei cumprindo minha missão. Se eu perder a minha, não me importo. Será por uma causa justa. O que você acha, Derek?
_Estou de acordo, Severo. Quer saber? Você é bom demais para juntar-se àquela escória. Aperte minha mão, velho amigo. Hoje damos um passo importante em direção à derrota de Voldemort.
_Por Merlin, não diga o nome dele!
_Ah, qual é, Severo! Vá se acostumando e perdendo o medo. Você agora faz parte da Ordem da Fênix.
_Ordem da Fênix, Derek?
_Sim. Ela combate bruxos das Trevas. A última vez em que entrou em ação foi durante a II Guerra Mundial quando um batalhão de bruxos, liderado por Dumbledore, combateu o exército de Adolf Grindelwald que apoiava Hitler e os nazistas. Um grupo dissidente de Grindelwald continuou atuando, secretamente, espalhando a doutrina das Trevas. Voldemort...oops, me desculpe, Severo... bem, ele entrou para esse grupo depois que se formou e viajou pelo mundo, aprendendo Magia Negra e adquirindo poder. Rapidamente subiu na hierarquia e logo era o líder. Foi o embrião dos Death Eaters, a sua elite, comparável à Gestapo e a SS , tudo junto. O resto,você sabe. Foi o início dos Dias Negros, que parecem estar chegando ao seu auge.
_Depois disso, Severo Snape foi convidado por Dumbledore para assumir a cadeira de Poções e passou a ser um agente da Ordem da Fênix, infiltrado entre os Death Eaters embora, para Voldemort, ele aparente ser seu espião infiltrado em Hogwarts. _ continuou explicando Madame Pomfrey _ Foi ele quem avisou Dumbledore que Voldemort estava atrás de Lílian e Tiago Potter. Infelizmente ele não estava presente quando Pettigrew revelou o segredo. Assim que soube, avisou Dumbledore, mas era tarde demais. Voldemort já havia ido a Godric’s Hollow e assassinado os Potter, tendo sido derrotado por Harry, este ainda com um ano de idade. Aliás, ele não sabia que o Fiel do Segredo era Pettigrew e não Sirius. Por isso ele ficou desapontado com a fuga de Sirius, há três anos atrás. Só depois que soube da verdade é que passou a odiar Sirius Black um pouco menos.
Janine perguntou:
_Mas o que poderia ter deixado o Prof. Snape tão desgostoso da vida que ele seria capaz de juntar-se aos Death Eaters e submeter-se a Voldemort?
_Isso, Srta. Sandoval, ele nunca me disse e eu, logicamente, jamais perguntei. Por favor, não digam nada ao Sr. Potter. Dumbledore quer que ele saiba de tudo, mas no tempo certo, não antes.
_Conte conosco, Madame Pomfrey. _ disseram as garotas _ Só revelaremos quando for a hora. Mas o Prof. Snape está muito melhor agora, não acha?
_Sem dúvida, meninas. O amor de Rosmerta McTaggert foi a melhor coisa que poderia acontecer na vida dele. Lembro-me de uma vez, quando ele estava no sétimo ano, em que eu estava passando por uma sala onde eles estavam conversando. Sem querer, ouvi o final da conversa. Severo estava bastante triste e dizia a ela: “Isso não seria direito neste momento, Rosmerta. Talvez um dia, no futuro.” E ela respondeu: “Severo, eu sei o que acabou de acontecer. Compreendo o que você deve estar sentindo mas saiba que eu esperarei por você para sempre e mais um dia, se for preciso.” Ele disse: “Eu não valho tudo isso, Rosmerta, mas obrigado assim mesmo.” E eles se retiraram, indo cada um para um lado. E agora estão juntos. O poder do amor é inacreditável.
As garotas foram para a Torre da Grifinória, a fim de revisar algumas matérias. Gina pensava: “Ainda bem que eu controlo meu elo telepático com Harry. Assim ele não ficará sabendo de nada antes da hora certa.” Por seu lado, Janine também tinha pensamentos importantes em sua mente: “Graças a Deus e a Merlin que Draco encontrou o caminho certo. Fico muito feliz de ter contribuído para isso. Eu o amo demais para deixar que ele se perca para as Trevas. Ainda bem que ele também possui firmeza de caráter suficiente para não voltar atrás.”
Chegando à Sala Comunal, encontraram-se com Harry, Rony e Hermione, que revisavam matérias para os exames.
_E aí, garotas, muitos ataques histéricos hoje?
_E como! Sem ajuda eu acho que Madame Pomfrey não iria dar conta. _ disse Janine _ e não eram só garotas. Vários rapazes apareceram lá, com palpitações e sudorese. Sabem, eu conheci um pessoal lá no Rio Grande do Sul que atende em um posto de Pronto-Atendimento, médicos e pessoal de enfermagem trouxas. Eles criaram um apelido bem interessante para crises histéricas, principalmente aquelas bem floridas, teatrais, que acabavam indo parar lá e só serviam para reduzir o estoque de medicamentos ansiolíticos.
_Ansio o que? _ perguntou Rony.
_Ansiolíticos. Medicamentos tranqüilizantes trouxas, principalmente injetáveis. _ respondeu Janine.
_Ai, ai, ai. _ disse Harry _ Só de ouvir falar em injeções já dá para sentir a dor. Mas qual era o apelido, Jan?
_Eles as chamavam de “Shining Butterflies”, ou seja, “Borboletas Cintilantes”, devido à teatralidade dos quadros. _ os risos se fizeram ouvir.
_É, gente, certas coisas não variam, seja entre bruxos ou entre trouxas. _ comentou Gina. _ Outro dia Hermione estava me explicando sobre a origem do termo “Histeria”, não é, Mione?
_Sim, Gina. “Histeria” vem do grego “Hysteron”, útero. Antigamente os psiquiatras, médicos trouxas que tratam distúrbios mentais, associavam os quadros histéricos ao útero, achando que fossem uma exclusividade feminina.
_A tal história da paralisia de Charcot, que você me contou outro dia, Mione? _ perguntou Rony.
_Isso mesmo, Rony. Mas o tempo veio provar que não era bem assim. Homens também apresentam crises histéricas, muitas vezes mais espalhafatosas do que as das mulheres.
_A própria “Fiasqueira”, como você costuma dizer, Jan. _ comentou Harry.
_É isso mesmo, gente. _ disse Janine, rindo.
Desceram para a aula de Trato das Criaturas Mágicas. Gina, que não tinha aulas no momento, resolveu permanecer, a fim de revisar alguns tópicos de História da Magia para os N.O.Ms. Chegando à cabana de Hagrid, Janine encontrou-se com Draco e sentaram-se juntos. Após a aula, Harry perguntou:
_Hagrid, só agora eu me lembrei. Onde está o Grope?
_Ele foi embora, há uns dois meses.
_Quem é Grope? _ perguntaram Draco e Janine.
_Grope é meu meio-irmão, um gigante puro.
_Havia um gigante aqui na floresta, no ano passado? _ perguntou Draco. _ Que perigo!
_Nada disso, Draco. Ele já estava bem mais tranqüilo e havia aprendido bem o inglês. Então ele foi embora, para procurar uma outra tribo de gigantes da qual havíamos tido notícias, a fim de levar a mensagem de Dumbledore a eles.
_Que diferença. _ comentou Harry _ No ano passado ele estava ainda meio selvagem e violento.
_É, mas a permanência aqui o amansou. Dumbledore em pessoa veio falar com ele e soube que Grope já estava querendo fugir daquela tribo, para não apanhar mais por ser baixo.
_Que altura ele tem, Hagrid? _ perguntou Janine.
_Cinco metros.
_Baixo, com cinco metros? Está brincando.
_Não, Janine. Para os padrões deles, Grope é baixo. Os gigantes têm normalmente, em média, seis ou sete metros de estatura.
_Cada dia no mundo mágico é uma nova descoberta.
_Para nós também, Jan. _ disse Draco _ Sempre há algo de novo para saber. Você o trouxe quando saiu naquela missão com Madame Maxime, no ano passado, Hagrid?
_Sim, Draco. No começo ele não queria vir e estava bastante agressivo.
_Por isso aqueles ferimentos no seu rosto? Lembro-me que fiquei impressionado com eles, quando viemos estudar os Testrálios. Eu não podia vê-los e ainda não posso.
_Não sei se você iria querer, Draco. _ comentou Rony _ a primeira visão deles assusta, até que você se acostume.
_Que aparência eles têm?
_Parecem um híbrido de cavalo com dragão. _ disse Janine _ Mas, depois que você se acostuma, eles são até interessantes. Aliás, há um atrás de você agora.
Draco ficou ainda mais branco do que o normal e disse:
_Então era por isso que eu estava sentindo um vento quente no meu rosto. _ e, levando a mão para o lado, tocou na crina do animal _ É, ele está aqui. Mas eles não são perigosos, Hagrid?
_Não, Draco. Só se eles o considerarem uma ameaça. É como quando o Bicuço feriu você, há três anos, lembra-se?
_É, eu me lembro. Fui desrespeitoso com ele e ele me atacou. Ganhei um respeitável talho no braço. Madame Pomfrey me recuperou, mas doeu bastante. Quando pedia que vocês me ajudassem com as poções não era só fingimento. Demorou umas duas semanas para ficar totalmente bom.
_Bicuço? O hipogrifo que depois foi de Sirius? _ perguntou Janine _ Aquele que vocês voltaram no tempo para salvar?
_Ele mesmo. Falando nisso, onde ele está?
Hagrid respondeu:
_Depois da morte de Sirius, trouxemos Bicuço para a floresta e eu estou cuidando dele. Olhem, ele está aqui.
Imediatamente Draco levantou-se e fez uma reverência para o animal, que respondeu. Então Draco aproximou-se e acariciou o bico do hipogrifo, dizendo:
_Me desculpe, Bicuço, por aquelas ofensas no passado. Eu tinha olhos mas não conseguia ver a nobreza da sua espécie. _ A imponente e orgulhosa fera alada compreendeu o que Draco Malfoy queria dizer e piscou para ele um de seus olhos alaranjados, esfregando sua cabeça no peito do loiro, suavemente, demonstrando que o perdoava. Draco sorriu, aliviado. Resgatara mais uma dívida do seu passado, construindo o caminho para um novo e melhor futuro.
_Percebi que você está procurando acertar todas as contas com o passado, Draco. Por que? _ perguntou Hagrid.
_É que eu tenho pensado bastante no perigo a que estamos expostos, Hagrid, e eu não gostaria, caso acontecesse algo, que nada ficasse pendente. Inclusive me arrependo de haver queimado você feio com a Umbridge, no ano passado.
_Não ligue, Draco. Aquela sapa gorda ia armar para mim de qualquer jeito. Todos sabem o quanto ela detesta mestiços, principalmente semi-humanos. _ disse Hagrid, pousando a enorme mão no ombro de Draco.
_Credo, Draco! _ disse Janine _ Não precisa ser assim tão pessimista.
_Não sou pessimista, meu amor. Só quero ter paz de espírito para poder aproveitar melhor o nosso futuro juntos. Te amo demais para perturbá-la com crises de consciência. _ e beijou Janine.
_Hagrid, você foi contemporâneo de Voldemort em Hogwarts, não foi? _ perguntou Janine.
_Fui. Não é muito agradável falar disso, porque foi graças a ele que eu fui expulso. Eu estava no terceiro ano e Tom Riddle no sétimo, era Monitor-Chefe, destaque, aluno exemplar, etc. Muito inteligente e habilidoso, já naquela época preparava seu caminho para as Trevas, começando a usar o pseudônimo “Voldemort”, anagrama do seu nome.
_Tom Marvolo Riddle, “I am Lord Voldemort”.
_Exatamente. Ele armou direitinho para mim. Naquele tempo eu criava uma acromântula, Aragogue, em uma caixa. Foi quando Riddle abriu a Câmara Secreta de Slytherin, libertando o basilisco. Uma bruxa nascida trouxa, Murta, acabou morrendo ao olhar para os olhos dele. Todos pensaram que Aragogue fosse o monstro da Câmara. Ele fugiu para a floresta, o basilisco voltou para a Câmara, até que foi novamente solto, há quatro anos, quando Voldemort possuiu Gina, como você já deve saber, pois ela lhe contou. Harry matou o basilisco, evitou que Voldemort retornasse e tudo voltou ao normal. Mas, voltando àquela época, fui expulso e Tom Riddle sumiu pelo mundo, depois da formatura, adquirindo poder e dando início aos Dias Negros. Depois de ser expulso, viajei bastante, tentando seguir o rastro dele, a pedido de Dumbledore. Quando atingi a maioridade, fui admitido na Ordem da Fênix e continuei a rastrear o sujo, até que perdi a sua pista. Alguns anos depois, o Prof. Dumbledore, que já era diretor, me admitiu como Guarda-Caça, em substituição ao velho Ogg, que estava prestes a se aposentar. E, desde então, eu estou aqui. Não consigo ficar longe de Hogwarts.
_Compreendo o que você quer dizer, Hagrid. _ comentou Janine, olhando à sua volta _ É difícil não ficar apaixonado por este lugar. A magia dele já começa por sua beleza. E travar conhecimento com o mundo mágico me traz à memória uma frase de Shakespeare.
_ “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode supor a nossa vã filosofia”. _ disse Hagrid _ É verdade, Janine. A magia está por toda parte, são as forças da Natureza e as energias do Universo. Nós, bruxos, apenas temos a habilidade de reconhecê-las, identificá-las, controlá-las e manipulá-las, para o bem ou para o mal e, segundo a teoria de Dumbledore, os trouxas também a possuem. A nossa Janine é um exemplo disso. Quando muitos dos trouxas e dos bruxos deixarem de lado seus preconceitos e abrirem os olhos para essa verdade, será dado um grande e importante passo rumo à harmonia entre os povos mágicos e não-mágicos deste mundo.
Draco ficou perplexo com as reflexões de Rúbeo Hagrid, pois passara anos julgando-o um brutamontes insensível e sem cultura e agora descobria o filósofo por trás daquelas barbas. Mas foi educado o suficiente para não deixar transparecer o seu espanto.
Naquele dia a aula de Trato das Criaturas Mágicas era o último tempo. Subiram de volta para suas Casas, a fim de tomarem um bom banho, antes do jantar. Harry sentiu um formigamento na cicatriz e uma sensação que já havia sentido antes. Voldemort estava contente. Mas por que razão? Ele só sabia que a alegria de Voldemort significava problemas para todos. E dos bem grandes.
No Afeganistão, em um esconderijo nas montanhas, próximo da Trilha Khyber, Voldemort sorria satisfeito. Sua última idéia para obter o livro que estava guardado em Hogwarts tinha tudo para dar certo, contanto que Sibila Trelawney não fizesse nenhuma outra besteira. Mas ela já havia sido suficientemente alertada sobre as conseqüências de uma nova falha. “Ela não vai arriscar a própria vida. Acho que ela aprendeu com aquele tratamento à base de Maldição Cruciatus. Aquilo deve ter sido doloroso o bastante para que ela pense duas vezes antes de falhar comigo novamente.” As outras partes envolvidas no plano sabiam muito bem o que deveriam fazer. Dirigiu-se aos seus aposentos, onde Bellatrix Lestrange o aguardava, ansiosa por tê-lo novamente junto dela. Apenas com Bellatrix é que Voldemort conseguia relaxar das pressões e tranqüilizar a mente para planejar novas estratégias. Entrou em sua câmara particular e trancou a porta. Bellatrix lhe disse:
_Venha, Mestre. Permita-me ser aquela de quem o senhor precisa.
_Bella, você é mesmo louca. Mas eu gosto disso. _ Voldemort deu um de seus raros sorrisos e apagou as luzes.
Em Hogwarts a chegada da Páscoa agitou a escola por várias razões: a perspectiva de mais um feriado para relaxarem, as finais do Quadribol e, para os alunos do quinto ano e mais Janine, os N.O.Ms que, para ela e Gina, não eram nenhum bicho de sete cabeças. No feriado deram-se ao luxo de deixar um pouco de lado os livros de estudo e pegaram na Biblioteca, com Madame Pince, livros de interesse geral recomendados por Hermione, lendo as referências feitas a grandes bruxos do passado e a outros mais recentes, tais como Renata Wigder-Mason e Tiago Potter, lendas do Quadribol; Alvo Dumbledore, Nicolau Flamel e Adolf Grindelwald, este último tendo voltado-se para as Trevas. Também leram os capítulos referentes a Harry Potter, “O-Menino-Que-Sobreviveu”. Aquilo as ajudava a compreender e valorizar cada vez mais o mundo bruxo principalmente Janine, que ficava maravilhada com as novidades.
No Domingo de Páscoa, todos receberam, diretamente da Toca, os deliciosos ovos artesanais da Sra. Weasley. Até mesmo Draco recebeu um ovo, com um bilhete de Molly e Arthur Weasley, felicitando-o pela decisão tomada e mantida. Tonks e Lupin foram a Hogwarts para fazer, pessoalmente, relatórios atualizados das missões da Ordem da Fênix a Dumbledore e ficaram para almoçar. Tonks sentou-se junto a Janine e Draco,perguntando a ela, baixinho:
_Você não disse a mais ninguém sobre o meu disfarce de “Pamela Worthington” ou disse?
_Não, Tonks. A mais ninguém.
_Ótimo, pois ele está sendo bastante útil. Com ele eu estou conseguindo circular pelo meio que você e nossas amigas freqüentam, sem despertar suspeitas. Seu antigo apartamento e nossas amigas, Shanna O’Rourke e Lauren Colingwood estão sob feitiços de proteção, caso haja bruxos das Trevas querendo atingi-la através delas. Além disso, notei uma grande movimentação de bruxos ligados a Voldemort na área daquele shopping center. Houve também um atentado a um Auror, Felix Stivers, um dos que tiram serviço em Azkaban, Dois Death Eaters tentaram emboscá-lo quando voltava das compras no mercado. Um deles não se levanta mais. O outro fugiu e Stivers escapou ileso, mas ficou possesso porque suas compras se estragaram durante a luta.
O almoço seguiu tranqüilo e, depois, Tonks e Lupin permaneceram pelo resto da tarde. Despediram-se e, depois de saírem dos limites da propriedade de Hogwarts, desaparataram para Londres.
Enfim, para acabar com a expectativa, chegou a semana dos N.O.Ms. Madame Pomfrey já sabia que a ala hospitalar seria bastante freqüentada. Gina e Janine comprometeram-se a dar uma ajuda, depois que terminassem suas provas. Madame Pomfrey agradeceu e disse:
_Tudo bem, meninas, mas só se não for atrapalhá-las.
_Não atrapalha, Madame Pomfrey. A senhora sabe que já estamos suficientemente preparadas. _ e foram para o Salão Principal, onde os alunos estavam aguardando a chegada da Comissão Examinadora. Logo em seguida chegaram, encabeçados por uma bruxa baixinha e enrugada, que logo foi reconhecida por Janine como sendo Griselda Marchbanks, pela descrição que Harry e Rony haviam feito dela.
A bruxa passou por elas e, olhando para Janine, sorriu e disse:
_Então a senhorita é Janine Sandoval, a jovem que está revolucionando o mundo mágico?
_Revolucionando, Madame Marchbanks?
_Pode falar alto, querida, pois eu sou meio surda. Não se subestime. O seu caso é único, pois nunca um nascido trouxa manifestou magia durante a adolescência. O normal é que ela se manifeste durante a infância, sob a forma de emissões mágicas involuntárias. Você nunca teve uma?
_Não, Madame Marchbanks, nunca. Mas podia enxergar criaturas mágicas, tais como dementadores e Testrálios.
A bruxa explicou:
_Os trouxas podem, em circunstâncias especiais, experimentar estados de ampliação da consciência que lhes permitem vê-los. Como você já é paranormal, isso ficou mais fácil e ocorre em nível consciente. Mas se um trouxa não manifesta magia até cerca de dez ou onze anos, ele não a manifesta mais por toda a vida. Por isso o seu caso é único e já estão escrevendo capítulos sobre você nos Tratados de Magia. Outra missão nossa, além de aplicar e fiscalizar os N.O.Ms deste ano, é entrevistar e estudar você, por ordem do Ministério. Você já está sendo conhecida em nosso mundo como “A-Trouxa-Que-Virou-Bruxa”. Srta. Sandoval, a senhorita pode contribuir bastante para que se dêem passos importantíssimos em direção à tão sonhada harmonia entre bruxos e trouxas. Tenho certeza de que vai achar o Departamento de Mistérios bem interessante. Boa sorte, meninas.
Quando a Comissão Examinadora se retirou, Gina murmurou para Janine:
_Com certeza você não iria gostar de conhecê-lo nas mesmas circunstâncias que eu, no ano passado. Durante a batalha com os Death Eaters eu fui estuporada e ainda acabei fraturando um tornozelo. Madame Pomfrey consertou depois, mas na hora doeu bastante. _ e as duas foram para a sala de espera, aguardando serem chamadas para a primeira prova prática, que seria Feitiços. A prova teórica seria à tarde. Não demorou muito, ouviu-se uma voz chamando alguns alunos, entre eles:
_Sandoval, Janine.
Ela levantou-se e entrou na sala, tendo sido indicada para ser examinada pelo Prof.Tofty.
_Srta. Sandoval, que felicidade poder examiná-la. Você é amiga de Harry Potter, não é? _ e, ante a resposta afirmativa, continuou _ Eu o examinei no ano passado e ele não me decepcionou. Tenho certeza de que, com sua fama, a senhorita também vai me deixar bastante satisfeito. Deixe-me ver sua varinha, minha jovem.
Janine entregou sua varinha ao Prof. Tofty, que a examinou e disse:
_Só poderia ser uma criação do Sr. Olivaras. Soube que estão sendo feitas especialmente para Aurores. São feitas de liga de Mirtheil, não são? Foi muito engenhoso por parte dele e do Sr. Mason criarem varinhas telescópicas revestidas com essa liga.
_O Prof. Dumbledore acredita que a varinha de Mirtheil foi o gatilho que disparou a manifestação de magia em mim.
_Fantástico, senhorita. Bem, vamos ver como a senhorita se sai com ela. _ devolveu a varinha para Janine _ Por gentileza, Srta. Sandoval, eu gostaria de ver como a senhorita ficaria em um uniforme de Quadribol da sua Casa.
_É para já, Prof. Tofty. Indumentária cambio! _ e as vestes negras de Janine desapareceram, sendo imediatamente substituídas por um uniforme de Quadribol da Grifinória, novinho em folha, com o nome “SANDOVAL” escrito com letras amarelas nas suas costas.
_Excelente, senhorita. Pode desfazer o feitiço. _ e Janine voltou a trajar as vestes de Hogwarts. Em seguida ela fez com que o Prof. Tofty levitasse, utilizando um Feitiço Mobilicorpus, devolvendo-o à sua cadeira logo depois. Para finalizar, disse: “Illex! Thermo”! e uma cuia de chimarrão com erva e uma garrafa térmica com água quente foram conjuradas. Ela cevou uma e ofereceu ao Prof. Tofty, que aceitou e tomou. Fez a cuia roncar e devolveu-a a Janine.
_Excelente, Srta. Sandoval. Nota máxima. A senhorita está liberada.
Janine saiu e ficou do lado de fora, conversando com Luna e esperando por Gina. Esta logo foi chamada:
_Weasley, Virgínia!
Gina entrou e foi indicada para a própria Madame Marchbanks. Esta pediu:
_Srta. Weasley, seus irmãos sempre se deram bem, mesmo Fred e Jorge. Acredito que a senhorita não terá dificuldades. Que tal fazer com que esse camundongo fique azul e do tamanho de um coelho? _ Gina executou com perfeição os feitiços de Crescimento e Mudança de Cor. Em seguida, a pedido de Madame Marchbanks, utilizou o Feitiço Silenciador para fazer com que um corvo parasse de crocitar. Concluiu em grande estilo quando Madame Marchbanks conjurou um bezerro e pediu para que ela o fizesse levitar. Gina disse: “Wingardium leviosa” e o animal flutuou pela sala, até que ela o trouxesse de volta ao chão. Madame Marchbanks ficou satisfeita:
_Parabéns, Srta. Weasley. A senhorita obteve nota máxima. Pode ir.
À tarde, durante a prova teórica, não foi diferente. As duas estavam bem preparadas e deram um banho no exame. Ainda tiveram tempo de ir ajudar Madame Pomfrey na ala hospitalar, com os primeiros casos de “Borboletas Cintilantes” que começavam a ocupar os leitos. Mas esses eram simples. Bastava uma colherada de Poção da Paz e eles saíam relaxados e prontos para os próximos exames.
Quando chegou a noite, todos estavam na Torre de Astronomia, munidos de seus telescópios e cartas estelares em branco para preenchimento. O Prof. Tofty deu início à prova e, cerca de uma hora e meia depois, Gina, Luna e Janine as estavam entregando, total e corretamete preenchidas. Retornaram para suas Casas, a fim de descansarem para os exames seguintes. E assim foram passando os dias, até que chegou o último: Defesa Contra as Artes das Trevas. Na prova teórica as meninas simplesmente arrebentaram, como já era de se esperar. Chegou, então, a hora da prova prática e, por coincidência, as três amigas acabaram sendo chamadas juntas:
_Lovegood, Luna; Sandoval, Janine e Weasley, Virgínia. Podem entrar.
As três entraram e tiveram a oportunidade de demonstrar o que haviam aprendido com Harry, nas sessões da AD. Ao final do exame, Griselda Marchbanks disse às garotas:
_No ano passado o Sr. Harry Potter conjurou um Patrono corpóreo e ganhou um ponto extra no exame. Será que as senhoritas são capazes?
Com um sorriso nos lábios as três bradaram, ao mesmo tempo: “EXPECTO PATRONUM”! e então irromperam de suas varinhas o cavalo crioulo de Janine, o unicórnio de Gina e a zibelina de Luna. Os examinadores aplaudiram.
_Excelente, senhoritas. É a terceira vez em que vemos alunos de N.O.M. conseguirem invocar Patronos corpóreos. A segunda foi no ano passado, com o Sr. Potter.
_E a primeira? _ perguntou Gina, curiosa.
_Foi há muito tempo atrás, com Alvo Dumbledore.
As três saíram da sala contentes. Para variar, haviam obtido nota máxima de novo. A performance de Janine impressionou a Comissão pois, em um ano, ela havia se equiparado aos alunos de sua série. A magia era realmente forte na garota. Encontraram-se com os namorados, que perguntaram:
_E aí, meninas? Como foram nos exames de hoje?
_Conseguimos não fazer feio. _ disse Luna, modestamente, beijando Neville em seguida. Foram para os jardins do castelo e Luna conjurou o chimarrão. Ficaram por ali, mateando e conversando, a admirar o pôr-do-sol. Ao escurecer, recolheram-se ao castelo. Estava quase na hora do jantar.
O dia seguinte era um sábado. Os amigos levantaram-se um pouco mais tarde mas não negligenciaram uma corridinha matinal Após terminarem e se alongarem, viram que Dumbledore em pessoa havia vindo vê-los a se exercitarem.
_Parabéns, vocês estão em excelente forma. E pensar que tudo isso começou com uma idéia do seu tio, Harry.
_Pois é, Prof. Dumbledore. Tio Valter queria um parceiro de exercícios para o Duda e deu no que deu.
_Na verdade, professor, isso foi um benefício para todos nós. _ disse Draco _ Principalmente para mim, pois eu era bastante sedentário. Harry me disse, certa vez, que o condicionamento deveria ser obtido à moda trouxa e ele estava certo. Me ajudou bastante no Quadribol. Agora eu e Harry estamos meio que equilibrados para a final da Copa das Casas.
_E eu tenho certeza de que será um grande jogo, meus jovens. Aliás, preciso dar os parabéns às Srtas. Weasley, Sandoval e Lovegood. As notas que elas obtiveram nos N.O.Ms. estão entre as melhores que já foram obtidas por alunos de Hogwarts. Acho que nem eu obtive notas tão altas assim. Mas há outras razões para eu ter vindo assistir aos seus exercícios.
_E quais são elas, professor?
_Preciso lhes dizer, principalmente à Srta. Sandoval, que um grupo de Death Eaters tentou seqüestrar as Srtas. O’Rourke e Collingwood na saída do shopping.
_E o que aconteceu, professor? _ perguntou Janine, preocupada com suas amigas e ex-companheiras de apartamento.
_Os feitiços de proteção que Tonks e Lupin lançaram nelas fizeram efeito e os Death Eaters nem souberam o que os atingiu. Mas devemos considerar isso como um sinal de alerta, pois Voldemort está ficando mais ousado em suas investidas. Ele pretende obter aquele livro a qualquer preço e eu gostaria de saber a razão.
Janine revelou então suas suspeitas a Dumbledore:
_E eu acredito, professor, que tudo isso faz parte de algo ainda maior, um plano mais ambicioso de Voldemort. Por mais que seja importante obter o conhecimento de um feitiço que possa defletir a Avada Kedavra, não pode ser só isso. O livro deve possuir uma chave ou uma pista para algum poder de ameaça ou destruição que ele pretende utilizar em seus planos de conquista. Só não consigo imaginar o que seja. Quando meu pai trouxe o livro eu o li e não encontrei nada de mais, exceto o fato de ter as folhas faltando. A maior parte do texto do livro explicava sobre a história dos antigos sacerdotes feiticeiros hindus e de como os três deuses lhes ensinaram os feitiços. As seções finais mostravam os mantras dos feitiços, com explicações. Justamente nessas partes é que estavam as páginas que faltavam. Por isso o livro tem o nome de “Luzes da Trindade”. A Trindade Máxima da Mitologia Hindu são Brahma, o Criador; Vishnu, o Conservador e Shiva, o Destruidor. Mas, na verdade, Shiva não é apenas um destruidor. Com o fogo de seu olho ele destrói para poder reconstruir. Talvez Voldemort esteja procurando algo que permita a ele reconstruir a Sociedade conforme a sua vontade, mas não havia pista nenhuma sobre isso no livro ou, pelo menos, nenhuma que eu pudesse identificar.
Dumbledore então disse:
_Espero que não precisemos descobrir, pois para isso o livro teria de cair nas mão de Voldemort e isso nós não podemos permitir. Vou deixá-los, jovens, por enquanto. Fiquem atentos e procurem não se meter em encrencas.
Depois que Dumbledore se afastou, Harry comentou com os amigos:
_Engraçado. Geralmente quando o Prof. Dumbledore diz isso, ele sabe que estamos planejando algo. Mas, no momento, não há nenhum perigo imediato e não estamos bolando nada.
_Ele nos conhece, Harry. _ disse Hermione _ Já está nos prevenindo para que não inventemos nada de heróico, mesmo sabendo que, se houver necessidade, vamos fazer, assim mesmo.
_Vindo de você, Mione, que sempre tentava nos impedir quando tínhamos algum plano... 
_Estou ficando mais realista, Rony. Além do mais, como agora é guerra, dificilmente poderemos não nos envolver quando um ou mais de nós estiverem em perigo.
_Do contrário, mano, não seríamos “Os Inseparáveis”. _ completou Gina.
Todos concordaram. Afinal de contas não havia, pelo menos aparentemente, nenhum perigo próximo rondando Hogwarts, era o que eles pensavam.
Não iria demorar muito para que descobrissem, da pior maneira, o quanto estavam enganados.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

KITSUNE NO KAMEN



 Certa vez, durante um tempo livre, tive a idéia de rabiscar um mangá só para exercitar o traço e a criatividade. É uma história que aborda um pouco o Bullying, mas evolui para outras coisas, com elementos místicos e aventura. Vou postar as páginas e ir atualizando, se a coisa agradar. A história tem o título de "Kitsune no Kamen", que significa "Máscara de Raposa", em japonês. A razão do título será explicada por si mesma, no decorrer da história. Espero que sirva para compensar o meu vergonhoso hiato de mais de um ano sem postar nada. Arigatô se gostarem. Gomen nasai, se não agradar.

KITSUNE NO KAMEN




segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Um Anime que vale a pena

Mas que vergonha! Devido a um alucinante ritmo de trabalho, precisei priorizar outras coisas e o blog acabou ficando em segundo plano. Mas, mesmo assim, ainda pude conferir um Anime muito interessante. Trata-se de "School Rumble", de Jin Kobayashi, publicado na Shonen Magazine, da Editora Kodansha. A primeira temporada do Anime foi ao ar em outubro de 2004, com 26 episódios, em dezembro de 2005 um OVA com dois episódios e, em abril de 2006, a segunda temporada, com mais 26 episódios. O que seria uma historinha insossa, uma comédia escolar banal, torna-se uma história muito interessante, à medida em que vamos conhecendo mais dos personagens.
A turma de "School Rumble"


Uma estudante do 2º Ano Colegial, Tsukamoto Tenma, bastante alegre e meio bobinha, resolve declarar seu amor a um colega, Karasuma Ooji, um rapaz certinho, muito habilidoso e que alguns consideram até meio esquisito. Mas ele está de viagem marcada para os EUA e terá de sair da escola.

Tsukamoto Tenma

Ela resolve, então, escrever uma carta para Karasuma Ooji, expondo seus sentimentos. A carta torna-se um Emakimono (livro em forma de rolo de pergaminho), mas ela se esquece de assinar. Mesmo assim, Karasuma Ooji resolve adiar sua partida, para descobrir quem foi a autora da carta.


Karasuma Ooji


Para aumentar a confusão, o delinqüente da escola, Harima Kenji, também é apaixonado por Tsukamoto Tenma, desde que a salvou de ser abusada e esfaqueada por um tarado em um beco, anos atrás. Ele começa a estudar sério e acaba indo para a escola em que Tsukamoto Tenma estuda e fica na mesma classe que ela.

Harima Kenji


Coincidentemente (?) a prima mais velha de Harima Kenji, Osakabe Itoko, é professora de Química na escola, em Yagami (Não seria uma cidade fictícia para lembrar de "Sagami", na Prefeitura de Kanagawa?)

Osakabe Itoko


O durão e briguento Harima Kenji tem uma enorme dificuldade para se declarar e a situação ainda fica pior quando ele descobre que Tsukamoto Tenma gosta de Karasuma Ooji. Ele resolve, então, começar a desenhar um Mangá, no qual coloca-se como personagem e ali expressa seus sentimentos por Tsukamoto Tenma. No decorrer da história, Tsukamoto Yakumo, a irmã mais nova de Tsukamoto Tenma, acaba tornando-se sua assistente na produção do Mangá e apaixona-se por ele, mas ele a respeita demais para aproveitar-se dela.

Tsukamoto Yakumo



Outra amiga de Tsukamoto Tenma que tem uma relação meio tumultuada com Harima Kenji é Sawachika Eri, que é considerada como uma patricinha, mas que também tem muitos problemas, nos quais Harima Kenji a ajuda, tipo detonar com um Omiai (Entrevista de Casamento Arranjado). Ela briga muito com ele e só o chama de "Hige" ("Bigode", em japonês), mas no fundo gosta dele e sabe que ele gosta de Tsukamoto Tenma, mesmo que ele já tenha se declarado (por engano) para ela.


Sawachika Eri

No meio disso tudo, a sempre calma e observadora Takano Akira consegue resolver várias confusões tipo quando, na praia, Sawachika Eri flagra Harima Kenji nu (Ele não estava conseguindo encontrar seu calção de banho) e ele, para evitar que ela grite e arme um escândalo, tampa sua boca. Takano Akira viu tudo e explicou a situação para a loira.


Takano Akira

Mesmo com essas cenas meio constrangedoras, "School Rumble" é uma história na qual, tanto no Mangá quanto no Anime, quase não há "Fanservice" e muito menos "Ecchi", ainda que haja vários personagens bastante tarados, como Imadori Kyousuke, que consegue adivinhar a medida do busto de uma garota só de olhar, o que lhe rende violentas bolachas de Suou Mikoto e Lala Gonzales. No final ele acaba percebendo o quanto gostava da garota que ele mais esnobava, Ichijou Karen, que sempre foi apaixonada por ele.

Imadori Kyousuke

Lala Gonzales


Suou Mikoto

Ichijou Karen

No final da história, Tsukamoto Tenma vai para os EUA, atrás de Karasuma Ooji e resolve estudar Medicina, para ajudar em seu tratamento para uma rara doença que vai apagando suas memórias. Ela também descobre os sentimentos de Harima Kenji, ainda que o rapaz sequer desconfie que ela sabe. Ele alcança relativo sucesso como Mangaka, mas em certo ponto desaparece e começa a correr o mundo, reaparecendo em um reencontro da turma, que tem a finalidade de ajudar Karasuma Ooji a recuperar algumas de suas memórias, no que eles têm algum sucesso.

A história vale a pena. O Mangá pode ser lido no Unixmanga, http://unixmanga.com e o Anime pode ser visto com boa qualidade tanto no Animalog, http://animalog.com.br quanto no Anitube, http://www.anitube.co e, em todos eles, garantindo uma boa diversão.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

EU RECOMENDO: COMPRAS NO URUGUAI

EU RECOMENDO

COMPRAS NO URUGUAI



No Rio Grande do Sul temos uma vantagem para realização de compras, que é a proximidade da Fronteira com o Uruguai. Isso nos abre várias possibilidades de escolha, considerando que existem cinco áreas de comércio livre, cada uma delas com suas respectivas lojas, representando excelentes opções para aquisição de vestuário, perfumaria, eletroeletrônicos e bebidas, entre outros artigos. A hotelaria também é variada, em ambos os lados da fronteira, com vários níveis de acomodações e faixas de preços das diárias. Abordaremos as três mais conhecidas, sendo que ainda existem outras duas, em Artigas, fronteiriça a Quaraí e Acegua, fronteiriça à cidade brasileira homônima, Aceguá.






A que possui a maior variedade de lojas é a simpática cidade de Rivera, que faz fronteira com Santana do Livramento, à qual chega-se pela BR-290 e depois pela BR-158. O acesso é fácil, bastando atravessar a Avenida João Pessoa e adentrar o país vizinho. Logo em seguida, o turista estará descendo a Avenida Sarandi, com lojas dos mais variados tipos em ambos os lados e nas ruas transversais e paralelas como, por exemplo, Siñeriz, Neutral, Zebra, Duty Free Americas e outras. Além disso, também merecem destaque as lojas de vestuário, cama/mesa/banho e artigos campeiros do próprio Uruguai, cujos preços são em Pesos Uruguaios e bastante convidativos.




Outras duas Zonas Francas mais conhecidas são a de Rio Branco, que faz fronteira com Jaguarão (ponto extremo sul da BR-116) e a de Chuy, fronteiriça à cidade homônima de Chuí, no lado brasileiro.

Jaguarão possui um esplendoroso acervo arquitetônico que remonta ao Século XIX, com cerca de 800 construções catalogadas na Prefeitura Municipal, vários eventos e festividades durante o ano como, por exemplo, seu Carnaval, o Rodeio Crioulo e a Semana de Jaguarão, valendo a visita não só pelas compras no país vizinho mas também pelas atrações da própria cidade. Ao atravessar a Ponte Mauá sobre o Rio Jaguarão (ou Yaguaron, em Espanhol), o turista adentra a Zona Franca de Rio Branco, com suas várias opções de Free-Shops, tais como Bekarte, Neutral, Virrey, Paris, Darling, Mario, The Place e Fape. Marcas de vestuário tais como Tommy Hilfiger, Polo Ralph Lauren, Lacoste, Abercrombie & Fitch e Columbia, entre outras, podem ser encontradas a preços bastante compensadores, bem como grande variedade de bebidas, eletroeletrônicos, perfumaria, chocolates, queijos e outros produtos.



No extremo sul do país, encontra-se o município de Chuí, com cerca de 6.000 habitantes, fronteiriça a Chuy, no lado uruguaio, onde as lojas concentram-se na Avenida Brasil e transversais. O comércio é representado pelos Free-Shops Angra, Border, Center, City Free, Darok, Laser, Natural, Neutral, Saint Honoré, Portal, Duty Free Americas, Six, Dubai e Real, com os mesmos artigos dos outros lugares.

Em todos eles, há como já citado, várias opções de hotelaria e também de gastronomia, em ambos os lados, com valores variados. Em Chuí, especialmente, a viagem pela BR-471 vale a pena, por atravessar a Estação Ecológica do Taim, área de preservação de fauna e flora de rara beleza, recentemente atingida por um incêndio, mas já recuperada. Além disso, Chuí representa o caminho mais curto para Montevidéu.



Para chegar às principais Zonas Francas, o caminho não é complicado. Saindo de Porto Alegre, toma-se a Ponte do Guaíba e segue-se pela BR-290 até que, no trevo logo depois da Churrascaria do Parente, pode-se seguir pela BR-290, com destino a Rosário do Sul, em cuja altura toma-se a BR-158 até Santana do Livramento e Rivera ou pode-se seguir pela BR-116 Sul, cujo ponto extremo é Jaguarão. Para chegar a Chuí, é preciso deixar a BR-116 logo depois de Pelotas e seguir pela BR-392 até Rio Grande e Cassino (praia mais extensa do mundo), onde toma-se a BR-471, passando pela bela Estação Ecológica do Taim e, vizinha a Chuí, a cidade de Santa Vitória do Palmar, facilmente identificada pelo peculiar portal com o farol. As distâncias de Porto alegre a Santana do Livramento, Jaguarão e Chuí são, respectivamente, de 498 km, 395 Km e 525 Km.
Um passeio que vale a pena, tanto pelas compras quanto pela beleza da paisagem, razão pela qual EU RECOMENDO.